A reação do governo Lula à revogação de visto da embaixadora brasileira nos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta terça-feira, 4, à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de revogar o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e rejeitou os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar a decisão.
A medida dos EUA seria uma resposta ao fato de o governo Lula não ter concedido o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada do país americano no Brasil.
No comunicado, o Palácio do Planalto afirma que as duas justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são “falsas”. O governo sustenta que o processo de concessão de agrément para embaixadores é confidencial, conforme estabelece o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, e argumenta que Washington tornou público o nome de seu indicado antes mesmo de formalizar o pedido de anuência ao governo brasileiro.
A nota também afirma que o Brasil cumpre rigorosamente o direito internacional e ressalta que a Convenção de Viena não estabelece prazo para a concessão do agrément. Segundo o texto, o pedido apresentado pelos Estados Unidos permanece em análise pelo governo brasileiro.
Outro ponto destacado pelo governo diz respeito à negativa de vistos de entrada no Brasil a dois integrantes do governo americano. De acordo com a Presidência, os dois pretendiam viajar ao país para “colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro”, o que o comunicado classifica como uma tentativa inaceitável de interferência no processo político nacional.
O governo brasileiro também menciona que continuam em vigor sanções individuais impostas por Washington contra autoridades brasileiras, incluindo o cancelamento de vistos para os Estados Unidos. Segundo a nota, essas medidas foram adotadas com base na alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro e atingem ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do primeiro escalão do Poder Executivo.
Ainda segundo o comunicado, o presidente Lula buscou tratar do tema diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante visita a Washington realizada em maio. Na ocasião, afirma a Presidência, o chefe do Executivo brasileiro solicitou o levantamento das sanções individuais impostas a autoridades nacionais.
Na avaliação do governo, a decisão anunciada pelo Departamento de Estado não representa um episódio isolado, mas integra uma sequência de medidas consideradas hostis ao Brasil. O texto atribui essa postura a motivações ideológicas que, segundo a Presidência, são incompatíveis com a tradição de respeito mútuo que marcou a relação bilateral entre os dois países.
A nota afirma ainda que existe um “interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”. Apesar das críticas, o governo encerra o comunicado reiterando que a diplomacia brasileira continuará privilegiando o diálogo e a negociação como princípios centrais da condução das relações internacionais do país.
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