Política

A referência velada para constranger Kassio Nunes Marques na crise do STF

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Discreto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin pediu a palavra na tumultuada sessão plenária da última terça-feira, 15, que decidiria se abria ou não investigação contra Alexandre de Moraes por relações impróprias com o banqueiro Daniel Vorcaro. Na sequência, explicou que já teve em seu gabinete um pedido sigiloso da Polícia Federal para investigar um dos integrantes da Corte e que deu ao magistrado na ocasião o direito de se explicar. “Já recebi ofício da Polícia federal pedindo investigação de um membro deste Supremo Tribunal Federal na gestão da presidência do eminente ministro Luís Roberto Barroso. E naquela oportunidade, o membro do tribunal teve a possibilidade de se manifestar. Eu abri vista à Procuradoria-Geral da República, que se manifestou pelo arquivamento do procedimento, que é a Pet 13228”, afirmou.

Zanin não mencionou o nome do colega de toga, mas trata-se da Kassio Nunes Marques, cujo nome foi citado nas investigações sobre um esquema de venda de decisões judiciais, revelados por VEJA em 2024, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em uma mensagem, um perfil  identificado com o nome do magistrado aparece em uma conversa com o lobista Andreson Gonçalves, investigado por mercadejar sentenças junto a gabinetes da segunda mais importante Corte do país. Ambos discutem o desfecho de uma causa de interesse, o possível retorno ao cargo do desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, afastado por suspeitas de comercializar despachos judiciais.

“Só acompanhar… Estamos sempre juntos… confiança entre nós é inabalável”, escreveu o perfil falso registrado com o nome do ministro. As investigações concluíram que se tratava de uma montagem. Na sequência, uma petição sigilosa sobre o assunto foi arquivada a pedido da Procuradoria-Geral da República. A referência ao episódio datado de 2024 no julgamento da última terça-feira reforça a percepção de integrantes do STF de que todos buscam episódios constrangedores da vida dos demais julgadores para embaralhar a análise de uma possível investigação contra Alexandre de Moraes por mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.

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Com o STF nas cordas há meses, o plano de salvação de Moraes havia começado a ganhar corpo ainda no final de 2025, quando o jornal O Globo publicou a existência de um contrato de impressionantes 129 milhões de reais entre o banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do magistrado, mas recebeu um empurrão extra desde que três integrantes da Corte – Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes – acessaram, no último dia 14, o acervo de um dos telefones de Vorcaro.

Novas mensagens armazenadas pelo banqueiro foram divulgadas pelo portal UOL poucos minutos antes do julgamento e mostram que outros julgadores também seriam próximos do pivô do maior escândalo financeiro do país, o que os colocaria em uma saia justa para participar da sessão plenária. Depois de os diálogos virem à tona, Nunes Marques se declarou impedido.

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