Economia

Adere quer dobrar receita com fita adesiva que vai do sapato ao arranha-céu






Por baixo da costura de um sapato de couro, uma fita adesiva ajuda a evitar rachaduras. Numa fachada de vidro, uma fita dupla face fixa as placas às molduras de alumínio. Já no chão de um pavilhão de exposições, outra mantém o carpete no lugar e precisa sair sem deixar resíduos quando a feira acaba.

São aplicações de um produto associado ao rolo guardado na gaveta de casa. Para a Adere, maior fabricante brasileira de adesivos, elas ajudam a explicar um negócio com mais de mil produtos e 120 mil quilômetros de fitas produzidos por ano. Essa extensão equivale, aproximadamente, a três voltas ao redor da Terra.

A variedade também está no centro da estratégia de expansão da companhia. Com faturamento anual acima de R$ 500 milhões, a Adere quer dobrar a receita até 2030. Para chegar a R$ 1 bilhão, combina investimentos industriais, desenvolvimento de produtos, maior presença no varejo e reforço nas exportações.

Segundo Luiz Gustavo Dias, CEO da Adere, a posição da empresa muda bastante entre as categorias. “A gente tem mais de 50% do mercado de fita crepe, mas no geral de fitas adesivas temos 12%. Então você imagina o que dá para crescer”, afirma, em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney.

Fita adesiva além do rolo na gaveta

Parte dessas oportunidades está em aplicações industriais que passam despercebidas pelo consumidor. No calçado, por exemplo, a fita de tecido misto de algodão e náilon recebe uma camada de adesivo e fica sob a costura. Assim, dá resistência ao couro. “Eu falo que a fita é o esqueleto do sapato, né?”, diz Luiz Gustavo.

Para atender o setor, a Adere tem uma fábrica em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em parceria com um distribuidor de componentes. Dessa forma, mantém a produção próxima do polo calçadista. Já a fita adesiva para fachadas de vidro é fabricada em Sumaré, no interior paulista, com tecnologia própria.

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Nos pavilhões de exposição, a exigência envolve também o que acontece depois do uso. Entre a desmontagem de uma feira e a abertura de outra, o carpete precisa ser retirado rapidamente. Por isso, uma fita dupla face qualquer não atende à aplicação: deixar adesivo no piso acrescentaria trabalho à preparação do espaço.

“Porque você, depois que acaba a feira, você tem que retirar esse carpete e não pode deixar resíduo de fita no chão”, explica o executivo. Portanto, o produto precisa fixar durante o evento e permitir a retirada ao final. Segundo ele, é uma fita difícil de encontrar no comércio convencional, embora esteja disponível na loja virtual da empresa.

Além dessas aplicações, as fitas adesivas atendem à indústria automotiva, à linha branca, que inclui geladeiras, e a hospitais. O portfólio também inclui colas para madeira, colas de cianoacrilato, de secagem rápida, abraçadeiras e utilidades domésticas. Cerca de 90% a 95% dos itens são de fabricação própria. A companhia ainda amplia linhas de marca própria produzidas por terceiros.

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Do cliente ao laboratório de fita adesiva

Para Luiz Gustavo, as demandas das indústrias são uma fonte de desenvolvimento de produtos. Por isso, técnicos e vendedores são orientados a ouvir o cliente e avaliar a aplicação antes de propor uma solução. Reforçar uma costura, fixar uma fachada e prender um carpete exigem especificações diferentes.

O investimento no laboratório acompanha esse trabalho. A ampliação mais recente da fábrica incluiu novos espaços para desenvolvimento de produtos e controle de qualidade. Além disso, houve aumento da equipe. Enquanto uma área verifica matérias-primas e produtos acabados, a outra trabalha em novas soluções, com uma máquina-piloto.

“Temos até um raio-x, para você ter uma ideia, para analisar fitas lá, analisar produtos”, conta Luiz Gustavo. O equipamento integra a estrutura de pesquisa da fabricante de fitas adesivas, que busca transformar necessidades dos clientes em novos itens para o catálogo.

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Investimentos e varejo no plano de expansão

Na produção, a Adere está executando um programa de investimentos de mais de R$ 100 milhões. A ampliação de 10 mil metros quadrados da unidade de Sumaré consumiu cerca de R$ 25 milhões, com melhorias de logística. Com isso, a fábrica chegou a 30 mil metros quadrados de área construída.

O plano também inclui novos equipamentos para ampliar a capacidade. A unidade geradora de vapor já foi incorporada à fábrica, enquanto um novo recuperador de solventes está em instalação. Na fabricação da fita adesiva, o solvente usado para diluir o adesivo evapora na secagem. O recuperador permite recolhê-lo e devolvê-lo ao processo.

Para vender mais, a empresa reforçou a equipe comercial e criou uma área de trade marketing, voltada à atuação nos pontos de venda. O objetivo é ampliar o espaço da marca nas gôndolas e a variedade de itens comprados pelos clientes atuais. Assim, o portfólio já existente ganha importância no plano de crescimento.

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“A gente quer aumentar o nosso mix de venda nos mesmos clientes”, afirma o CEO. Além da fita crepe, a empresa quer ganhar participação nas linhas em que ainda tem presença menor. Os lançamentos seguem no plano, ao lado do esforço para vender mais itens que a companhia já fabrica.

Exportações para 17 países

Outra frente está fora do Brasil. Embora venda para 17 países, a Adere obtém cerca de 4% do faturamento com exportações. Os principais mercados são Argentina, Paraguai e Uruguai, com destaque para os argentinos. A empresa também vende para os Estados Unidos e a Europa.

Hoje, o próprio CEO cuida dos clientes externos, com apoio de duas profissionais responsáveis pela documentação. No entanto, ele descreve a atuação como mais reativa do que ativa. Para mudar esse quadro, a companhia pretende contratar um executivo de vendas dedicado à exportação.

A Adere já teve um profissional nessa função, que trouxe negócios antes de sair para outra empresa. Agora, Luiz Gustavo vê espaço para entrar na Colômbia, onde a fabricante de fitas adesivas ainda não atua, e ampliar as vendas no Chile, no Peru e no Equador. “Tudo é uma questão de foco. Oportunidade tem um monte”, afirma.

Para saber mais detalhes sobre a Adere, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer,  Spreaker,  Castbox  e  Amazon Music.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

Infomoney

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