Alerta de Couto ajudou a desmontar esquema milionário de corrupção em autarquia do Rio

A investigação que levou à prisão do presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, nesta quinta-feira, 9, teve impulso a partir de uma auditoria realizada por determinação do desembargador Ricardo Couto, que governa interinamente o estado. As conclusões da varredura conduzida administrativamente foram encaminhadas ao Ministério Público do Rio, que já desconfiava e investigava o esquema. Os contratos sob suspeita foram fechados entre julho de 2022 e maio de 2026 e somam R$ 86 milhões.
O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia do governo estadual responsável por gerenciar projetos na Região Metropolitana. Onze pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações e lavagem de dinheiro.
É a primeira ofensiva concluída com auxílio do trabalho de fiscalização de contratos inciado por Ricardo Couto ao assumir o governo. Além de desligar mais de 4 mil servidores comissionados, muitos deles suspeitos de serem “fantasmas”, o desembargador ordenou em abril um pente-fino nas licitações e contratações da gestão anterior, do ex-governador Cláudio Castro (PL).
As auditorias são processadas, analisadas e consolidadas pela Casa Civil, que em seguida, quando há suspeita de corrupção, notifica o Ministério Público estadual. No caso do IRM, o pente-fino apontou terceirização irregular de atividades, falhas na fiscalização dos contratos e aditivos acima dos limites legais, o que ampliou as suspeitas do MP. A investigação criminal foi aberta em janeiro, depois que uma ex-fiscal da autarquia foi flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência de Teresópolis, na região serrana.
A Justiça decretou a prisão de seis dos onze denunciados:
- Davi Perini Vermelho, o Didê: presidente do IRM;
- Mauricio Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL): foi diretor de planejamento e projetos do IRM e integrante da comissão de licitação da instituição. É apontado como articulador do direcionamento de licitações;
- Amanda Íthala Santos da Paschoa: nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM;
- Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”: ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa subcontratada da autarquia;
- Franquis Dias Nepomuceno: delegado e diretor do IRM, apontado como dono da empresa de vigilância Rioforte;
- Marcelo Lopes da Silva: procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM.
Veja



