Anvisa autoriza por 5 anos produção de mosquito com Wolbachia da Oxitec

A Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concedeu, em 8 de julho, autorização excepcional por cinco anos para a produção e implementação da tecnologia de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia pela empresa Oxitec do Brasil Tecnologia de Insetos Ltda.
A autorização é destinada a atender o Programa Nacional de Controle das Arboviroses, do Ministério da Saúde, como estratégia complementar e sustentável de controle vetorial, em conformidade com os protocolos estabelecidos pela pasta.
A Anvisa afirma que a autorização não abrange outras tecnologias e não permite comercialização a particulares ou a órgãos públicos desvinculados do programa.
A liberação está condicionada a quatro exigências:
- comprovação formal, pelo Ministério da Saúde, de autorização para uso dos mosquitos nos locais que receberão a tecnologia, antes da comercialização;
- apresentação de informações complementares sobre planejamento e avaliação de risco, estratégias de engajamento social e comunitário, e procedimentos de liberação e monitoramento dos resultados;
- envio de relatórios com dados epidemiológicos e entomológicos das arboviroses nos locais de implementação;
- realização de visitas periódicas da equipe técnica da Anvisa à fábrica da empresa.
O Ministério da Saúde anunciou em janeiro de 2025 a expansão do projeto com mosquitos Aedes aegypti infectados pela bactéria Wolbachia para mais 40 cidades brasileiras.
Os insetos, modificados geneticamente para não transmitirem doenças como dengue, chikungunya e zika, são uma estratégia para reduzir o número de infecções no país.
Com as mudanças climáticas e verões cada vez mais longos, esses insetos ganham terreno e aumentam os temores de futuras crises sanitárias.
Em agosto de 2017, a Folha noticiou a liberação de milhões de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no Rio de Janeiro como forma de tentar reduzir a transmissão de doenças na cidade.
Em 2022, um artigo publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases mostrou que a iniciativa surtiu efeito. Segundo os pesquisadores, a liberação dos insetos está associada a uma redução média de 38% na incidência de dengue e de 10% na de chikungunya.
Informação
Folha de São Paulo



