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Aos 52 anos, apresentador tem ilha particular de 20 acres usada como refúgio para a família no País de Gales

Conhecido mundialmente por enfrentar situações extremas em programas de sobrevivência, o apresentador de TV e aventureiro Bear Grylls encontrou um desafio diferente longe das câmeras: transformar uma ilha praticamente inabitável em um refúgio para a família. Em 2001, o aventureiro britânico comprou a St. Tudwal’s Island West, uma propriedade de aproximadamente 20 acres na costa do País de Gales, por cerca de US$ 135 mil. Na mesma época, ele e a esposa, Shara Grylls, também adquiriram uma casa flutuante no rio Tâmisa, em Londres. Os dois imóveis custaram juntos menos do que o apartamento que o casal cogitava comprar na capital britânica.

A aquisição marcou o início de um projeto que levou anos para ganhar forma. Quando Grylls conheceu a ilha, as construções estavam em ruínas, não havia eletricidade nem água encanada e os telhados precisavam ser recuperados. O terreno abrigava um farol com cerca de 200 anos e duas antigas casas de faroleiros, que acabaram se tornando a base para a residência da família.

Ao longo de aproximadamente 25 anos, o aventureiro trabalhou para transformar o espaço em uma casa de quatro quartos, preservando as características históricas das construções e adaptando o imóvel às condições severas do litoral. O resultado é um refúgio remoto em que a vida cotidiana exige planejamento, respeito ao mar e uma dose de espírito aventureiro.

Ilha de Bear Grylls tinha casas em ruínas e um farol centenário

Localizada ao largo da Península de Llŷn, no norte do País de Gales, a St. Tudwal’s Island West chamou a atenção de Grylls justamente por oferecer uma experiência distante da rotina urbana. Quando comprou a propriedade, em 2001, ele encontrou duas casas de antigos faroleiros em condições precárias. As construções estavam sem telhados, não tinham abastecimento de água ou eletricidade e precisavam passar por uma extensa recuperação.

Em entrevista ao The Sunday Times, em 2021, Grylls relembrou as dificuldades do início da reforma. O primeiro banho no local, segundo ele, aconteceu em uma pequena quantidade de água bombeada de antigos reservatórios que haviam sido limpos. Apesar dos escombros e da chuva que entrava pelos espaços sem cobertura, o aventureiro descreveu a experiência como emocionante.

A reforma exigiu planejamento e adaptações para que as duas construções pudessem funcionar como uma única residência. A casa resultante passou a ter quatro quartos e foi preparada para enfrentar ventos intensos, maresia e as mudanças bruscas do tempo.

Ilha particular de Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram
Bear Grylls - Foto: Reprodução / Instagram
Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram

Casa tem paredes de calcário e vista para o mar

A estrutura da residência preserva características das antigas construções de pedra. Em entrevista à Vanity Fair, em 2012, Grylls descreveu as paredes de calcário com aproximadamente 60 centímetros de espessura, que ajudam a manter o interior fresco durante o verão e aquecido nos meses mais frios.

A localização, porém, traz desafios. A casa fica a cerca de 45 metros acima do nível do mar, mas ainda está exposta aos ventos e à maresia. Durante tempestades, as rajadas podem ser tão intensas que a família sente a força do tempo sobre a estrutura.

Por esse motivo, a ilha não funciona como uma residência convencional para receber convidados. Grylls explicou que ele, Shara e os três filhos costumam aproveitar o espaço sozinhos. Quando recebem amigos, geralmente convidam apenas uma família por vez, que precisa estar preparada para possíveis mudanças no clima e para ficar isolada caso as condições do mar impeçam a travessia.

A proposta é manter a propriedade como um refúgio familiar, em que a experiência de viver em contato com a natureza faz parte da rotina, e não apenas do cenário.

Ilha particular de Bear Grylls - Foto: Reprodução / Instagram
Ilha particular de Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram

Família precisou de quase dez anos para construir acesso à ilha

Um dos maiores desafios da propriedade sempre foi o transporte de suprimentos. Antes da construção de uma rampa de acesso, concluída após quase dez anos de espera por autorização, a família precisava deixar o barco ancorado ao largo, remar até a costa e caminhar pela praia carregando as compras. A situação ficava ainda mais complicada quando o mar estava agitado. Além do esforço para transportar alimentos e materiais, havia a preocupação com a segurança da embarcação.

A família conta com um antigo barco de resgate da RNLI, organização britânica de salvamento marítimo, e utiliza um quadriciclo com reboque para levar os suprimentos até a casa. A construção da rampa facilitou o transporte de materiais e tornou a permanência na ilha mais prática.

Mesmo assim, o acesso continua dependendo das condições do mar. A rotina exige atenção constante ao clima e planejamento para que alimentos e outros itens essenciais estejam disponíveis quando necessário.

Bear Grylls - Foto: Reprodução / Instagram
Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram

Refúgio funciona com energia eólica e água da chuva

A ausência de infraestrutura pública levou Grylls a buscar soluções próprias para abastecer a propriedade. Em entrevista ao The Telegraph, em 2008, ele contou que a família utilizava uma pequena turbina eólica para produzir eletricidade e coletava água da chuva a partir do telhado.

Essas soluções permitem que a casa funcione sem conexão convencional com a rede elétrica ou com o abastecimento público de água. O sistema também combina com a proposta de manter uma residência em uma região remota, onde a instalação de infraestrutura tradicional seria mais complexa.

A autonomia, entretanto, exige manutenção e planejamento. Em uma ilha sujeita a ventos fortes e ao isolamento temporário, a família precisa administrar os recursos disponíveis e garantir que os equipamentos continuem funcionando.

O projeto mostra uma faceta menos conhecida do aventureiro: fora das expedições televisionadas, ele também investiu em maneiras de adaptar a vida cotidiana às condições do ambiente.

Ilha particular de Bear Grylls - Foto: Reprodução / Instagram
Ilha particular de Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram
Ilha particular de Bear Grylls - Foto: Reprodução / Instagram
Ilha particular de Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram

Bear Grylls serviu nas forças especiais antes de chegar à televisão

Antes de se tornar um dos apresentadores mais conhecidos dos programas de sobrevivência, Bear Grylls construiu uma trajetória marcada por treinamento militar e expedições. Nascido Edward Michael Grylls, em 7 de junho de 1974, na Irlanda do Norte, ele desenvolveu desde jovem o interesse por escalada, navegação e atividades ao ar livre.

Na vida adulta, serviu por três anos no 21 SAS, unidade de reserva das forças especiais britânicas. Durante esse período, aprofundou conhecimentos que posteriormente se tornariam parte de sua identidade pública.

Em 1996, sofreu um grave acidente de paraquedismo na África, no qual fraturou três vértebras. Após meses de recuperação, voltou a treinar e retomou seus planos de realizar grandes expedições. Em 1998, aos 23 anos, chegou ao cume do Monte Everest, uma das conquistas que ajudaram a projetá-lo no universo da aventura. A façanha aconteceu cerca de 18 meses depois do acidente, segundo a biografia publicada pela editora Penguin.

Programa de sobrevivência tornou Grylls conhecido mundialmente

A popularidade internacional chegou com Man vs. Wild, programa do Discovery Channel que estreou em 2006. Na atração, Grylls enfrentava ambientes hostis e demonstrava técnicas de sobrevivência, desde a obtenção de água e alimento até a construção de abrigos improvisados.

A série teve sete temporadas e alcançou uma audiência internacional expressiva. Segundo a biografia do apresentador divulgada pelo National Geographic, o programa chegou a uma estimativa de 1,2 bilhão de espectadores. (National Geographic)

Depois do sucesso, Grylls passou a apresentar outros formatos de aventura, incluindo Running Wild with Bear Grylls, no qual acompanha celebridades em expedições ao ar livre. Entre os convidados que participaram de diferentes temporadas estão o ex-presidente norte-americano Barack Obama, a atriz Julia Roberts e o tenista Roger Federer.

O apresentador também ampliou sua atuação para produções interativas, como You vs. Wild, da Netflix, em que o público pode escolher os caminhos que o protagonista deve seguir durante os desafios.

Ilha particular de Bear Grylls - Foto: Reprodução / Instagram
Ilha particular de Bear Grylls – Foto: Reprodução / Instagram

Aventureiro também se tornou autor e líder do movimento escoteiro

Além da televisão, Grylls construiu uma carreira como escritor. Sua autobiografia, Mud, Sweat and Tears, alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The Sunday Times. Ele também publicou livros de sobrevivência, obras de inspiração pessoal e histórias de aventura para o público infantil.

Outra parte importante de sua trajetória está ligada ao escotismo. Em 2009, foi nomeado Chief Scout do Reino Unido e se tornou a pessoa mais jovem a ocupar o cargo, aos 34 anos. A função envolvia incentivar a participação de jovens e voluntários no movimento. (Guinness World Records)

Grylls deixou a função em 2024, após 15 anos. Ao longo desse período, também assumiu responsabilidades de embaixador do movimento escoteiro em âmbito internacional. A experiência ajuda a explicar por que suas produções frequentemente destacam habilidades práticas, trabalho em equipe e capacidade de lidar com situações inesperadas.

Ilha segue como um refúgio familiar fora dos holofotes

A compra da St. Tudwal’s Island West nasceu de uma decisão pouco convencional. Em vez de investir o dinheiro em um apartamento em Londres, Grylls e a esposa optaram por uma casa flutuante e uma ilha que exigia uma reforma extensa. O projeto transformou construções abandonadas em uma residência de quatro quartos e permitiu que a família desenvolvesse uma rotina ligada ao mar e à natureza. A energia eólica, a coleta de água da chuva e as adaptações para o transporte de suprimentos fazem parte da estrutura que sustenta o refúgio.

Para um profissional conhecido por enfrentar ambientes extremos diante das câmeras, a ilha representa uma experiência diferente, mas igualmente exigente. Ali, a aventura não termina quando as gravações acabam: ela faz parte da vida cotidiana.

Mais de duas décadas depois da compra, a propriedade permanece associada à ideia de privacidade, autonomia e contato com a natureza. É nesse cenário isolado do País de Gales que Bear Grylls encontra um espaço para compartilhar com a esposa e os três filhos, longe da rotina dos programas de sobrevivência.



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