Aos 61 anos, Zélia Duncan revela câncer de tireoide e que quase ficou sem voz: ‘Pior que morrer’

Zélia Duncan, de 61 anos, revelou detalhes do período em que enfrentou um câncer de tireoide, diagnosticado em 2017. A cantora contou que passou cerca de três meses convivendo com o medo de perder a voz, seu principal instrumento de trabalho. Durante esse período, subia ao palco como se pudesse ser sua última apresentação e chegou a chorar diversas vezes no camarim.
Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, disponível no YouTube do Jornal O GLOBO e no Spotify, a artista, que acaba de lançar o álbum “Agudo grave”, afirmou que o diagnóstico aconteceu justamente quando vivia uma fase positiva da vida pessoal e profissional.
“Quando descobri que estava com esse câncer na tireoide foi chocante. Vivia meu melhor momento: tinha um ano com a Flavia, estava me sentindo forte, saudável”, relatou. Zélia lembrou ainda que sempre teve muitos cuidados com a região do pescoço e brincou ao recordar que era conhecida como “florzinha de estufa” entre os amigos.
O maior temor, porém, estava relacionado às possíveis consequências da cirurgia para sua voz. “Pensar em perder meu instrumento era pior do que morrer”, afirmou. O procedimento foi realizado meses após a descoberta da doença, já que, segundo ela, não havia necessidade de uma intervenção imediata.
Durante esse intervalo, a cantora manteve a agenda profissional e continuou se apresentando. “Fiquei de setembro a dezembro cantando como louca. Imagina a cabeça? No camarim, eu morria de chorar”, contou. Foi então que sua fonoaudióloga percebeu o comportamento e fez um alerta: “Para de se despedir”. Segundo Zélia, a frase fez com que percebesse que estava encarando cada apresentação como uma despedida.
Após a cirurgia, um dos primeiros momentos de tensão aconteceu quando o médico pediu que ela falasse para avaliar sua voz. “Que medo! Falei: ‘Um, dois, três, testando’”, recordou, emocionada. Para seu alívio, o timbre não sofreu alterações.
A primeira apresentação depois do procedimento também foi marcada pela tensão. Zélia subiu ao palco ao lado do violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum, em um formato que, segundo ela, exigia bastante de sua voz. Antes de entrar em cena, chorou, lavou o rosto, se maquiou e decidiu cantar.
A artista explicou que, durante a recuperação, precisou reaprender alguns aspectos do canto. Respirar e planejar a emissão da voz passaram a exigir atenção, algo que antes acontecia naturalmente. Com exercícios e acompanhamento, porém, ela foi retomando a confiança.
“Me sinto bem hoje, mas tem sempre um lugar… gato escaldado”, disse. Para ela, o título “Agudo grave” também carrega um significado relacionado à experiência: representa a busca por entender como ficou sua voz e quem é a nova Zélia depois de tudo o que enfrentou.
A cantora também destacou o apoio que recebeu de Maria Beraldo e Tó Brandileone, músico e engenheiro de som, durante o processo de redescoberta vocal. Apesar do medo vivido naquele período, Zélia afirma que preservou duas certezas: nunca perdeu o receio de cantar diante de um microfone e nem o prazer de estar no palco.
Zélia Duncan — Foto: Ana Branco
A carreira de Zélia
Zélia Duncan é uma das principais cantoras e compositoras da música brasileira. Nascida em Niterói (RJ), iniciou a carreira profissional nos anos 1980 e ganhou projeção nacional ao longo da década de 1990, consolidando-se com uma trajetória marcada pela versatilidade e por uma identidade artística que transita entre a MPB, o pop e o rock.
Ao longo da carreira, lançou diversos álbuns de destaque e ficou conhecida por sucessos como “Catedral”, “Alma” e “Enquanto Durmo”. Também construiu uma trajetória importante como compositora, com parcerias com nomes consagrados da música brasileira.
Além da carreira solo, Zélia participou de projetos especiais e dividiu palcos e gravações com grandes artistas. Em 2008, assumiu os vocais da banda Os Mutantes por um período. Sua atuação também se estendeu ao teatro e a projetos culturais.
Com décadas de carreira, Zélia Duncan se mantém como uma artista relevante da música brasileira, reconhecida pela potência de sua interpretação, pela personalidade vocal e pela disposição para experimentar diferentes caminhos artísticos.
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