Aos 72 anos, Regina Casé mantém capela cercada pela natureza em sítio de Mangaratiba

A atriz e apresentadora Regina Casé construiu no quintal de seu sítio em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, uma capela particular cercada pela natureza e repleta de objetos que carregam histórias de sua família, de suas viagens e de sua trajetória espiritual. O espaço, apresentado pela artista em 2021 no programa ‘Lar – Vida Interior‘, tornou-se uma das áreas mais afetivas da propriedade.
A capela de Regina Casé reúne imagens de santos, orixás, medalhinhas e peças antigas herdadas de sua avó. Mais do que um local de oração, o ambiente funciona como um espaço de memória, aprendizado e convivência familiar. Saiba mais sobre a capela de Regina Casé, a história por trás dos objetos e a relação da apresentadora com a espiritualidade.
Como surgiu a capela de Regina Casé no sítio?
Regina Casé contou que, quando chegou ao sítio em Mangaratiba, a área ainda não tinha a estrutura que possui atualmente. A própria artista explicou que participou da construção da relação com o local, incluindo o cultivo das flores que hoje também ajudam a decorar sua capela particular.
“E aí, quando eu vim para cá, para o sítio, não tinha nada. Tudo que você olhar aqui em volta da gente, que plantou o Oi, essas flores daqui, eu tô levando para minha capelinha. Essa capelinha brotou aqui também”, declarou Regina Casé no vídeo exibido pelo programa ‘Lar – Vida Interior’.
A história do espaço também está diretamente ligada à avó da atriz. Regina contou que aprendeu a rezar desde pequena e que essa tradição familiar continua presente em sua vida. Para ela, a capela representa uma forma de preservar costumes antigos e manter viva a memória de quem a ensinou a se relacionar com a fé.
“Meu pai tinha uma cadelinha, minha avó tinha uma cadelinha. Eles me ensinaram a rezar desde pequenininho“, afirmou a apresentadora.
O que existe dentro da capela de Regina Casé?
A capela no sítio de Regina Casé reúne uma coleção de objetos religiosos e afetivos acumulados ao longo de décadas. Entre as peças estão imagens de santos, medalhinhas, referências a diferentes tradições religiosas e itens que foram herdados de sua avó.
A decoração também conta com móveis antigos da família. Regina destacou, por exemplo, um genuflexório, um oratório e uma imagem do Menino Jesus que pertenciam à avó. Segundo a apresentadora, cada peça carrega uma lembrança específica e ajuda a manter a presença da família naquele ambiente.
“Esse genuflexório e esse oratório eram da minha avó. Esse menino Jesus, eu me lembro que ela dizia: ‘Esse é o menino Jesus inteiro’”, contou Regina Casé.
Além das peças herdadas, a coleção foi formada também durante suas viagens pelo Brasil e pelos presentes recebidos de amigos. A apresentadora explicou que, ao longo de aproximadamente 30 anos viajando pelo país, ganhou imagens ligadas a diferentes religiões e tradições.
“E eu, durante 30 anos, viajei tanto pelo Brasil, ganhei muitas imagens, não só imagens católicas, mas de várias religiões. Tenho medalhinha de Todos os Santos e eu gosto muito de Santo”, revelou.
Por que a capela de Regina Casé reúne santos e orixás?
A capela de Regina Casé reflete a maneira ampla como a artista enxerga a espiritualidade. O espaço reúne referências católicas e elementos relacionados a outras tradições religiosas, incluindo imagens de orixás. A apresentadora explicou que não se identifica com uma única religião e que prefere valorizar diferentes formas de fé.
Entre as imagens apresentadas por Regina, estão referências a São Longuinho, São Brás, São Benedito, São Roque e São Pedro. Ela também explicou a relação de algumas imagens com o sincretismo religioso, como as representações de Omulu associadas, em determinados contextos, a São Lázaro e São Roque.
Ao falar sobre a própria espiritualidade, Regina Casé afirmou:
“Eu acho que eu não consigo mais dizer qual é a minha religião. Não tem muitos amigos evangélicos, judeus, no candomblé. Por que eu tenho que escolher? Eu gosto realmente de tudo junto, bem misturado. É celebrar a diferença que eu recebi da minha avó. Eu guardo todas as tradições e tudo que eu aprendi com ela, e ela abre a porta para tudo que vier de novo. Que venha tudo bem, quiser, pelo amor, entrar”.
A relação com os santos também é transmitida para os filhos e netos. Regina contou que utiliza as histórias dessas figuras para ensinar às crianças valores relacionados à diversidade e ao respeito.
“Quando eu ensino para eles muitas coisas, seu conta aquela história daquele santo, eles aprendem a respeitar os outros”, explicou.
O espaço de oração também reúne a família
A capela no quintal do sítio de Regina Casé não é apenas um ambiente de contemplação individual. Segundo a apresentadora, o local também se tornou um ponto de encontro para a família. Ela contou que costuma ir ao espaço com os familiares para rezar a Ave-Maria.
“A gente vem sempre aqui a 6 horas para rezar Ave Maria”, disse Regina Casé.
A artista também descreveu a oração como uma experiência de entrega e conexão com algo que não precisa ser completamente explicado. Para ela, a capela proporciona uma sensação de tranquilidade em meio à natureza.
“Maria morava com ela. Rezar é você se abandonar a um mistério, e eu tenho a sensação de que estou rezando como estou tomando uma água bem limpinha, nadando, boiando no mar e ouvindo Sgard. E isso é bom, meu Capelinha, no meio do mato, cigarro. Estou rezando“, afirmou.
Ao final da apresentação, Regina Casé resumiu o significado que atribui ao espaço. Para ela, a capela é uma construção que acolhe memórias, crenças e diferentes formas de espiritualidade.
“Essa casinha aqui é a casa do amor”, declarou.



Quem é Regina Casé?
Nascida no Rio de Janeiro em 25 de fevereiro de 1954, Regina Casé construiu uma carreira de destaque no teatro, na televisão e no cinema. Sua trajetória começou nos palcos e ganhou força com o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, que movimentou o teatro carioca na década de 1970. Mais tarde, a artista se tornou conhecida por trabalhos como ‘TV Pirata’, ‘Programa Legal’, ‘Brasil Legal’, ‘Muvuca’ e ‘Esquenta!’.
No cinema, Regina Casé também ganhou reconhecimento por atuações em produções como ‘Eu, Tu, Eles’, ‘Que Horas Ela Volta?’ e ‘Três Verões’. Na televisão, viveu personagens de grande repercussão, como Dona Lurdes, em ‘Amor de Mãe’, e Zoé, em ‘Todas as Flores’.
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