Apoio de ex-adversários leva a voto no segundo turno? O que diz CEO de instituto de pesquisa

O apoio de candidatos derrotados no primeiro turno não significa necessariamente que seus eleitores seguirão a mesma orientação na disputa presidencial entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na avaliação de Marcelo Tokarski, CEO do instituto de pesquisa Nexus, a transferência de votos depende menos das alianças políticas anunciadas após a primeira votação e mais da rejeição dos eleitores aos dois candidatos. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o especialista afirmou que os primeiros levantamentos do segundo turno indicam uma migração maior de votos para Flávio, movimento que ele associa principalmente à rejeição ao presidente.
“Eu acho que o eleitor que migrou de outros candidatos para, no segundo turno, votar em Flávio Bolsonaro, pelo que as primeiras pesquisas começam a indicar, não está fazendo isso pela formalização do apoio político do seu candidato a Flávio Bolsonaro”, afirmou Tokarski. Segundo ele, parte desse eleitorado procurou uma alternativa aos dois principais concorrentes no primeiro turno, mas agora precisa escolher entre o petista e o candidato do PL.
Por que a rejeição pode pesar mais que as alianças?
Na avaliação do CEO da Nexus, o principal fator por trás da migração de votos seria a diferença de rejeição entre Lula e Flávio Bolsonaro. Tokarski argumenta que parte dos brasileiros que escolheram outros nomes no primeiro turno rejeitava ambos os candidatos e tentou encontrar uma alternativa à polarização. Com a disputa reduzida a dois concorrentes, esse grupo passou a ter de fazer uma escolha entre eles.
Segundo o especialista, os primeiros levantamentos divulgados após o primeiro turno indicam uma rejeição maior a Lula do que a Flávio. “Hoje, a rejeição a Lula e ao governo, pelo menos até aqui, tem pesado um pouco mais na decisão desse eleitorado”, avaliou. Para Tokarski, essa diferença ajuda a explicar a vantagem numérica do senador nas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, embora o cenário ainda possa mudar ao longo da campanha.
Quais líderes conseguem transferir votos aos seus candidatos?
Tokarski apontou Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro como duas exceções à dificuldade de lideranças políticas influenciarem diretamente o voto de seus seguidores. Segundo ele, ambos demonstraram capacidade de mobilizar parcelas expressivas do eleitorado em favor de nomes escolhidos para representá-los.
Como exemplo, o especialista mencionou a decisão de Jair Bolsonaro de lançar a candidatura do filho, em dezembro do ano passado, mesmo diante de setores políticos que defendiam o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. De acordo com Tokarski, Flávio apareceu nas primeiras pesquisas com aproximadamente 30% das intenções de voto e ampliou seu desempenho ao longo da campanha.
O CEO da Nexus também citou a eleição presidencial de 2018, quando Lula apoiou Fernando Haddad, que chegou ao segundo turno. Para Tokarski, os dois episódios ilustram a capacidade de determinadas lideranças de influenciar o comportamento de seus eleitores, fenômeno que ele considera menos frequente entre outros políticos.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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