Ato pró-Flávio de alunos do Mackenzie tem clima de festa e coro transfóbico contra Erika Hilton

Com funk, clima de festa e coro transfóbico contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie realizaram um ato nesta quarta-feira (14) na rua Maria Antônia, em São Paulo, em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A manifestação foi organizada por estudantes de direita da universidade como resposta a um ato de alunos de esquerda pró-Lula (PT) no mesmo local na semana passada. Ela ocorreu na frente da entrada do Mackenzie e da antiga sede da USP (Universidade de São Paulo), onde estudantes das duas instituições entraram em conflito em 1968, na ditadura militar.
Os estudantes chamaram o presidente Lula de ladrão, disseram que a juventude de direita vai “retomar as universidades” da esquerda e reiteraram o apoio a Flávio. O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), mais votado do estado, convocou o ato e discursou, atacando Erika.
Em entrevista à Folha, a deputada disse que nada tem em comum com Pavanato e com Nikolas Ferreira (PL-MG). Em referência a essa fala, o deputado eleito por São Paulo disse no ato desta quarta: “Nós temos sim algo em comum”, ao que apoiadores responderam com o coro transfóbico: “Au, au, au, a Erika tem pau”. O deputado eleito não cantou junto e pediu calma.
Imediatamente após o ato, questionado pela reportagem se temia ser denunciado por transfobia pela fala, Pavanato disse: “Por quê? Só o que falei foi que temos algo em comum, e é verdade. Todos os seres humanos têm algo em comum, e nós dois somos deputados, mas eu fui mais votado do que ela.”
Também estava presente no ato do Mackenzie a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL). Ela disse à Folha que, embora “nada esteja ganho”, a mobilização estudantil mostrava que Flávio tem o apoio dos jovens e a liderança na corrida eleitoral contra Lula. Em seguida, discursando, ela disse que sua vitória nas eleições mostra que “a mulher não precisa ser feminista“. Pavanato descreveu Campopiano como “uma mulher que não aceita a coleira do feminismo”.
Com o ato desta quarta e a convocação para outro, com a presença de Flávio, na avenida Paulista neste domingo (18), a direita bolsonarista tenta mostrar força e reagir a manifestações de jovens de esquerda, que dominaram o noticiário no segundo turno até aqui.
Na terça-feira (13), por exemplo, Brasília, São Paulo e pelo menos outras nove capitais brasileiras registraram atos a favor da reeleição de Lula, enquanto nesta quarta movimentos sociais em Goiânia, com a presença de Guilherme Boulos (PSOL), e Florianópolis se reuniram em apoio ao presidente.
As manifestações fazem parte de uma série de manifestações que, desde a última semana, tentam reverter o resultado do primeiro turno das eleições, realizado no último dia 4. Flávio alcançou 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
Outras manifestações da esquerda, muitas delas convocadas por entidades estudantis, foram registradas nos últimos dias no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Manaus.
O Mackenzie, uma das universidades mais tradicionais de São Paulo, proibiu manifestações partidárias no campus de Higienópolis no último dia 6. A instituição afirmou ter tomado conhecimento, pelas redes sociais, de eventos convocados sem autorização prévia. Um deles era um encontro de apoio a Lula pelo grupo estudantil Mackenzie com Lula.
Segundo a universidade, diversas pessoas manifestaram preocupação com a assembleia. O comunicado diz que, diante disso, a reitoria observou a “necessidade de zelar pela segurança e bem-estar de todos” e decidiu pela “não autorização de qualquer manifestação partidária nas dependências do campus”.
Alguns dos estudantes que discursaram no ato da direita nesta quarta exaltaram a ditadura militar e relembraram a Batalha da Maria Antônia, em 1968 quando estudantes da USP contrários ao regime e alunos do Mackenzie, favoráveis, se enfrentaram na rua no centro de São Paulo.
Folha de São Paulo


