Atrair eleitores no Rio de Janeiro e evangélicos estão entre os principais desafios para campanha de Lula

Um levantamento produzido pela agência Troika Marketing a partir das últimas pesquisas de intenção de voto para a presidência da República detalha onde estão as maiores vantagens e dificuldades dos candidatos que lideram essa corrida. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando no Nordeste e entre os mais pobres, Flávio Bolsonaro (PL) concentra vantagens importantes no Sudeste e entre evangélicos.
“Entre os eleitores de Lula, 86% disseram estar decididos. Entre os de Flávio Bolsonaro, o índice foi de 82%. Os dois candidatos possuem bases relativamente consolidadas, embora ainda exista espaço para mudanças entre os eleitores menos convictos”, disse ao Brasil de Fato Patrick Paraense, presidente da agência.
O grande pilar de resistência e crescimento de Flávio Bolsonaro concentra-se no Sudeste, região que abriga os maiores colégios eleitorais do país, conforme apontam as pesquisas estaduais analisadas pela Troika. O Rio de Janeiro é apontado como a principal reserva eleitoral do candidato do PL, registrando 49% contra 40% do petista em eventual confronto direto.
“A aliança com Eduardo Paes pode ajudar a diminuir essa diferença, assim como o trânsito de Benedita da Silva entre os evangélicos e a presença do pastor e cantor gospel Kleber Lucas na chapa. Uma atuação constante de Kleber Lucas pode fortalecer a candidatura de Benedita e ajudar Lula a reduzir sua desvantagem entre os evangélicos no Rio de Janeiro”, avaliou.
O único cenário de equilíbrio na região ocorre em Minas Gerais, onde Lula lidera por margem apertada (36% a 31% no primeiro turno, e 46% a 42% no segundo turno), funcionando como um obstáculo para a hegemonia de Flávio na região. Em São Paulo, Flávio aparece ligeiramente à frente de Lula no primeiro turno (35% a 34%) e amplia a vantagem para 47% a 42% em simulação de segundo turno.
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Lula abre sua maior vantagem setorial entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, registrando 20 pontos de diferença sobre Flávio (55% a 35%), além de liderar por 18 pontos entre eleitores negros (55% a 37%) e católicos (54% a 36%). Lula também mantém vantagem sólida entre as mulheres, com 51% contra 38% do adversário. No mapa regional, o Nordeste segue como seu principal reduto eleitoral, garantindo-lhe uma frente de 31 pontos (61% a 30%), impulsionada por Pernambuco, onde o presidente alcança 62% contra 29% de Flávio.

Por outro lado, o relatório da Troika mapeia que Flávio Bolsonaro consolida sua competitividade a partir de uma base conservadora muito engajada, setores de alta renda e força no Sul do país. O candidato do PL encontra seu melhor desempenho no eleitorado evangélico, onde abre uma folga expressiva de 33 pontos sobre o petista (62% a 29%). Flávio também assume a dianteira entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos (54% a 39%), no público masculino (48% a 43%) e na região Sul, onde registra uma vantagem de 12 pontos percentuais (50% a 38%).
Essa divisão geográfica e demográfica resulta em um cenário de segundo turno caracterizado pelo empate técnico, mas com uma tendência de afunilamento que acende o sinal de alerta na campanha governista. No confronto direto, a pesquisa BTG/Nexus registra 47% a 44% e o Datafolha aponta 47% a 43%. No entanto, a análise de tendência da Troika destaca que, na série histórica do Datafolha desde junho, Lula oscilou negativamente de 41% para 39%, enquanto Flávio subiu de 31% para 33%, comprimindo a distância nacional de dez para seis pontos.
Nas projeções feitas no relatório, o contraste entre Sul, Sudeste e Nordeste explica a imprevisibilidade do resultado e a estratégia dos candidatos de começar a campanha fortalecendo seus territórios de maior votação.



