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Bioinsumos ganham espaço, mas avanço depende de tecnologia e regulamentação



O mercado de insumos biológicos tem potencial para continuar crescendo no Brasil nos próximos anos, mas o ritmo dessa expansão está condicionado ao avanço da regulamentação do segmento. A opinião foi compartilhada por participantes da terceira edição do Fórum Bioinsumos no Agro, que aconteceu nesta terça-feira (19/8), em São Paulo. As projeções de crescimento variam conforme a fonte, mas convergem para um aumento da adoção nos próximos anos.

Números consolidados da safra 2025/26 apontam que os produtos de base biológica representaram cerca de 6% do mercado de defensivos e inoculantes nos principais cultivos do país, segundo a consultoria Kynetec. Mais de 80% da área de soja tratada para nematóide utiliza insumos de base biológica.

“Se tivermos soluções altamente performantes para ferrugem, percevejo, lagarta, tenho certeza que vai ‘guinar’ ainda mais esse mercado. O potencial é gigantesco”, afirmou o coordenador de inteligência de mercado da Kynetec, Vitor Hugo Leite. A empresa não chegou a fazer uma projeção de quanto esse mercado pode representar do total de insumos nos próximos anos, o que segundo Leite dependerá de uma série de fatores.
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Para a diretora de produtos biológicos da CropLife Brasil, Amália Borsari, os biológicos têm espaço para ganhar participação e substituir algumas soluções químicas, mas o avanço dependerá tanto do desenvolvimento tecnológico quanto do ambiente regulatório. A principal demanda é a regulamentação da Lei dos Bioinsumos.
“Não é questão de ser biológico ou químico: é tecnologia. E com certeza a tecnologia vai ser muito mais biológica com o passar do tempo, mas sem deixar a evidência e a importância das moléculas químicas”, afirmou.

A multinacional Syngenta vê os bioinsumos como complementares aos produtos químicos, com foco no aumento da eficiência dos insumos já utilizados pelo produtor. “Hoje é um percentual pequeno da nossa receita ainda, mas com potencial muito grande”, disse o diretor sênior para biológicos, Igor Lyra.

Cristhiane Amancio, chefe-geral da Embrapa Agrobiologia, afirma que os bioinsumos têm potencial para substituir integralmente alguns insumos sintéticos em determinadas situações, como já ocorre com o nitrogênio na soja, mas ressalta que esse potencial varia conforme a cultura, a praga e as condições ambientais.
A pesquisadora defende uma transição complementar, sem oposição entre químicos e biológicos, e avalia que, com esses avanços, o cenário de uso dos bioinsumos pode ser significativamente diferente nos próximos cinco anos.


Globo Rural

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