Cadeia pecuária ainda busca consenso sobre exportações para a UE


A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que a reunião realizada na manhã desta quarta-feira (8/7) entre pecuaristas, indústrias de carnes e governo serviu de alinhamento para firmar um posicionamento único da cadeia sobre o uso de antimicrobianos no país e o atendimento às exigências da União Europeia para manter as exportações.
Segundo ela, nenhuma decisão foi tomada até agora e outras reuniões serão realizadas em breve. A ex-ministra da Agricultura citou a necessidade de ouvir os pontos de todos os agentes envolvidos para definir uma estratégia governamental de atuação nesse tema.
Ela reforçou que o Brasil consegue controlar o uso desses produtos e fazer a comprovação exigida pela Europa. “O problema é que precisamos alinhar os conceitos, e isso não tinha sido feito até então. Precisamos unir os elos, para não deixar ninguém vulnerável. O produtor precisa do frigorífico e o frigorífico precisa do produtor”, afirmou à reportagem.
A reunião foi realizada em Brasília, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e teve a participação da a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Procuradas, nenhuma entidade respondeu até o momento.
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Recentemente, as entidades das indústrias de carnes bovinas e de aves pediram ao Ministério da Agricultura o banimento total do uso de antimicrobianos no Brasil como forma de garantir aos europeus que os produtos exportados para lá estão livres desses medicamentos. Os pecuaristas são contra e alegam aumento de custos na produção se não houver possibilidade de usar alguns desses itens.
“Foi uma reunião muito boa, de alinhamento e posicionamento entre a cadeia. Vamos fazer outras reuniões como essa nos próximos dias”, afirmou Tereza Cristina.
Segundo ela, não houve definição sobre um eventual apoio unânime da cadeia para o banimento de antimicrobianos nem para os mecanismos de segregação dos animais e comprovação de não uso dos medicamentos proibidos pela UE. Ela disse ainda que a reunião busca formar uma base para traçar estratégias de atuação.
“Ouvimos os pontos de todos os lados, do produtor, dos frigoríficos, do governo e dos clientes, que é a União Europeia. Tínhamos que alinhar isso para encontrar qual será a estratégia”, acrescentou.
Mais cedo, a reportagem mostrou que o Ministério da Agricultura informou, em resposta enviada à Câmara dos Deputados, que a definição dos controles de fiscalização sanitária para atender à UE dependem, “em grande medida”, do setor privado. A Pasta disse que manteve tratativas desde 2023, quando o bloco informou as regras.
Mesmo assim, o ministério disse que não houve “falhas administrativas, atraso regulatório ou insuficiência diplomática” por parte do governo federal.
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