Campanha de Lula diz que Metrô de SP retirou tapumes que protegeriam estações para ato na Paulista

A campanha do presidente Lula (PT) diz que o Metrô de São Paulo retirou tapumes instalados pelo partido para proteger a entrada de estações durante o último ato das eleições previsto para a tarde deste sábado (24), na avenida Paulista.
De acordo com o coordenador de campanha, o deputado federal Kiko Celeguim (PT), a instalação de placas de ferro nos acessos das estações Consolação e Trianon-Masp foi acordada durante reunião de preparação para a manifestação no último dia 20, entre integrantes da campanha e representantes da Companhia e da Polícia Militar.
O serviço foi realizado por empresa contratada pelo partido na noite desta sexta-feira (23). Celeguim disse que foi surpreendido por um telefonema da terceirizada dizendo que funcionários do Metrô ordenaram a paralisação do serviço e a retirada do material já instalado.
A reportagem esteve na avenida Paulista na manhã deste sábado e viu grades instaladas ao redor dos acessos das estações Consolação e Trianon-Masp. A estrutura é a mesma do ato de Flávio Bolsonaro na Paulista (PL) no último dia 18.
Procurado, o Metrô, empresa controlada pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), informou que reúne informações para enviar a resposta.
“Ele [funcionário que ordenou a retirada] disse que o Metrô tomaria providências para poder proteger o patrimônio e não precisaria mais dos tapumes. A gente obedeceu por óbvio, sem entender muito bem o que significa isso, mas é bom deixar claro aqui para a sociedade que a gente atendeu ao pedido do Metrô de proteger o mobiliário urbano, mas, ao longo do processo, tinha 70% do material que estava instalado, nos pediram, nos obrigaram a retirar esse material sob o argumento de que o Metrô tomaria as providências”, disse Celeguim.
Segundo o coordenador de campanha, a instalação dos tapumes foi uma medida para evitar o que chamou de “qualquer tipo de desinformação”. Ele se refere às imagens de vandalismo às entradas das estações registradas durante ato de campanha de Lula no primeiro turno.
Na ocasião, a Companhia afirmou que três estações foram vandalizadas. Em nota, a Companhia afirmou que uma vistoria técnica apontou danos em oito placas de vidro das coberturas dos acessos voltados à avenida, além de pichações e aplicação de adesivos em estruturas das estações e no interior de um trem.
Imagens divulgadas pela CNN Brasil mostraram pessoas sobre a cobertura de vidro da estação Trianon-Masp. No vídeo, algumas delas aparecem com o rosto coberto e empunhando bandeiras, enquanto a estrutura exibe pichações e cartazes.
Neste sábado, a campanha afirmou que um grupo de advogados ligados ao partido irá se espalhar pela Paulista para acompanhar o ato, “para poder ficar à disposição da autoridade policial ou do cidadão para tirar qualquer tipo de dúvida, aquilo que pode ou não ser feito, e evitar qualquer tipo de contratempo e ter a chance de resolver naquele momento para que não tenha consequências maiores”, disse Celeguim.
Segundo o advogado Marco Aurélio Carvalho, do Prerrogativas, ligado ao PT, a iniciativa irá contar com integrantes do grupo liderado por ele e membros do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo. “Também notificamos a própria OAB, a Comissão de Direitos Humanos”, disse Carvalho.
O advogado voltou a pedir o uso de câmeras corporais pelos policiais militares que acompanharem o ato deste sábado. “Esse foi o primeiro pedido que nós fizemos. E o segundo, para que os membros da tropa que sejam devidamente identificados”, disse Carvalho. A medida, segundo o advogado, visa coibir ações truculentas contra manifestantes.
Folha de São Paulo



