Candidata à Presidência pelo DC diz que mulheres ficam sempre em segundo plano e se inspira em Vozinha

À frente de chapa formada totalmente por mulheres para a Presidência, a advogada Clariana Barão (DC) diz que se apoiará nas redes sociais para mostrar a sua história de vida e a de sua vice, Fabiana Torquato, além de apresentar propostas.
Além do DC, apenas o UP (Unidade Popular) terá duas mulheres na chapa presidencial: Samara Martins e sua vice, Raquel Bricio.
A corrida presidencial deste ano é marcada pela ausência de mulheres, como a Folha mostrou nesta quinta-feira (5)
O programa de governo de Clariana e Fabiana deve priorizar temas como autonomia financeira para mulheres, oferta de qualificação profissional, combate à violência doméstica e assistência jurídica às vítimas.
“A mulher na política é, no máximo, relegada a segundo plano. Fazem anúncios de que vão ter mulheres como vice, mas, na hora de fechar a chapa, é com homens”, disse Clariana.
“Eu sou o retrato da mulher brasileira, mãe solo, que trabalha desde cedo para cuidar da família. Minha candidatura é para que todas se sintam representadas.”
Clariana preside o diretório do DC em Mato Grosso, enquanto Fabiana é especialista em regularização fundiária e já foi superintendente do Patrimônio da União no Distrito Federal.
O DC não terá tempo de exposição no horário eleitoral gratuito na televisão. Clariana espera receber convites para debates em emissoras de televisão.
“Exceto no que tange às dificuldades com o fundo [eleitoral] mínimo para que as pessoas conheçam a mim e a vice, que é uma advogada e mulher fantástica, vamos tentar ultrapassar a barreira do anonimato”, afirmou Clariana.
“A campanha não começará em igualdade de condições, mas, quem sabe, se o sol brilhou para o goleiro Vozinha [de Cabo Verde], pode brilhar para nós também, porque o mundo das mídias sociais possibilita isso. Acredito firmemente que as pessoas irão nos conhecer”, prosseguiu Clariana.
A chapa 100% feminina só foi oficializada durante a convenção do DC nesta quarta-feira (5). Antes, o partido, presidido por João Caldas, rompeu com o ex-deputado Aldo Rebelo e não conseguiu convencer o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa a concorrer a presidente.
“João [Caldas] me fez esse convite como uma opção de remanejamento de rota do partido, com uma chapa feminina. Somos a maioria do eleitorado, mas se vê pouca representatividade na política”, disse a presidenciável.
Fundado em 1995, o DC, até então, teve como candidato à Presidência apenas o seu fundador, José Maria Eymael, que concorreu nos pleitos de 1998, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Em julho do ano passado, Eymael, 85, passou o bastão para Caldas.
Legenda nanica, o DC não tem deputados federais ou senadores e elegeu dois prefeitos no ano passado.
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Folha de São Paulo



