‘Capitão América chegou com o escudo’: Pablo Marçal entra na eleição para ajudar Flávio Bolsonaro a combater Renan Santos

A chegada de Pablo Marçal (PRTB) na disputa presidencial no último sábado (15) pegou de surpresa os que sabem de sua inelegibilidade até 2032, determinada pela Justiça Eleitoral. Apoiado em uma liminar que garantiu sua saída do União Brasil (UB) e chegada ao PRTB, o coach goiano conseguiu registrar sua candidatura e começou a disparar sua retórica violenta na segunda-feira (17).
Em entrevistas ao site Brasil Paralelo e ao podcast Inteligência Ltda., Marçal deixou evidente que chegou à eleição para trabalhar como cão de guarda de Flávio Bolsonaro (PL), em uma tentativa de proteger o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro dos ataques de Renan Santos (Missão).
Marçal contou, na entrevista ao Brasil Paralelo, que consultou Flávio Bolsonaro sobre a candidatura e que disse ao candidato do PL: “Siga seu caminho em paz, você não terá problema comigo”. Respondendo sobre mais um eventual racha na extrema direita, o coach sentenciou: “Antes de falarem besteira, pensem que o Capitão América chegou com o escudo”.
Ao Inteligência Ltda., Marçal afirmou que Renan Santos é “disfuncional para a sociedade” e “um menininho de papai”. “Ele tem que pagar os impostos que está devendo. ‘Ah, colocaram meu nome’, já provou que é laranja, então, dos outros. Ele precisa arrumar um menino, uma criança, para ter uma bronquite e pegar fila no hospital; ele precisa de algumas coisas na vida dele. Na outra candidatura tinha alguém com esse perfil. Uma pessoa que ficou de ‘nhem nhem nhem’ pra cima de mim”, afirmou o presidenciável do PRTB.
As duas primeiras entrevistas no dia inaugural de sua candidatura mostram que Marçal se propõe não a disputar o Palácio do Planalto, mas a tentar causar uma distração à campanha de Renan Santos, que elegeu Flávio Bolsonaro como adversário prioritário.
A conta do Missão é simples. Renan Santos não pode conquistar os votos de Lula, que estão abrigados em um espectro ideológico antagônico ao seu. Se quiser ir ao segundo turno, o fundador do MBL precisa ultrapassar Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, principalmente, no dia 4 de outubro, quando será disputado o primeiro turno.
Com biografia e argumentos frágeis, Flávio Bolsonaro se tornou um alvo fácil para Renan Santos, que agora terá um adversário tão histérico e vil quanto ele. Porém, a estratégia pode ser uma cilada para o presidenciável do PL.
A campanha de Pablo Marçal deve ser impugnada nas próximas semanas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A questão é em quanto tempo. Caso a decisão seja tomada perto do 4 de outubro, o nome do coach pode aparecer nas urnas.
O problema para Flávio Bolsonaro é que os votos em Pablo Marçal são anulados caso sua candidatura esteja impugnada. Assim, o número de votos válidos diminui e aumenta a chance de Lula vencer no primeiro turno.
A lona está esticada e o circo começará. No próximo domingo (23), a Band exibirá o primeiro debate presidencial. A emissora paulista já está pressionada para convidar Pablo Marçal. Neste momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro não estão confirmados no encontro. Porém, Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos são nomes certos.
Segue assim a disputa pela hegemonia na direita, que, neste momento, parece tomar mais a energia dos direitistas do que a busca pelo Palácio do Planalto.



