Checagem aponta falsidades e distorções de Flávio sobre Bolsa Família, segurança e patrimônio de Lula

Diversas declarações de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o Bolsa Família, o patrimônio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e políticas de segurança foram contestadas por verificações realizadas durante o debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23). Os dois candidatos participaram do último confronto televisivo antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
O site Flávio Mentiu, mantido pela frente voluntária Lula Memes, reúne afirmações classificadas pela iniciativa como “falsas” ou “parcialmente falsas”. A plataforma informa que consultou pelo menos duas fontes por registro e que realiza uma revisão posterior com uma terceira referência. A página mostra 75 registros, incluindo repetições de declarações sobre um mesmo assunto.
Confira alguns dos principais temas, com contextualização de reportagens e verificações publicadas por outros veículos.
Auxílio de R$ 600 era temporário no governo Bolsonaro
Ao atribuir ao governo de Jair Bolsonaro o benefício mínimo de R$ 600, Flávio omitiu que o aumento concedido em 2022 tinha prazo para terminar. O Auxílio Brasil passou a pagar esse valor de agosto a dezembro daquele ano.
Reportagem publicada pelo Terra em 31 de agosto de 2022 registrou que a proposta de Orçamento enviada pelo governo Bolsonaro para 2023 previa R$ 400 para o programa. Portanto, o pagamento de R$ 600 chegou a ocorrer naquela gestão, mas sua continuidade não estava assegurada na proposta orçamentária.
A checagem do Aos Fatos sobre o debate também destaca que o benefício alcançou R$ 600 apenas no fim do governo Bolsonaro. O Bolsa Família foi restabelecido em 2023, na gestão Lula, preservando esse piso e incorporando pagamentos adicionais.
Lula apresentou declaração de patrimônio ao TSE
Flávio afirmou que Lula não declara seus bens. A informação é contrariada pelo registro da candidatura do presidente à reeleição.
Segundo reportagem da CNN Brasil, publicada em agosto, Lula informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de aproximadamente R$ 4,7 milhões. A declaração inclui imóveis, veículo, investimentos, valores em conta e participação empresarial.
Alegação sobre roubo de celular repete desinformação
O candidato do PL voltou a atribuir a Lula a defesa de que ladrões de celulares não deveriam ser presos porque roubariam para comprar cerveja.
O Aos Fatos classificou a declaração como uma distorção de falas do presidente. O UOL Confere também incluiu a alegação entre as informações falsas apresentadas por Flávio no debate.
A plataforma Flávio Mentiu relaciona a acusação a uma edição que juntou trechos de uma entrevista de Lula de 2017: uma passagem sobre violência e roubo de celulares e outra sobre torcedores que bebiam juntos depois de partidas de futebol. O site remete a verificações anteriores e à decisão do TSE que suspendeu propaganda com essa associação em 2022.
Número de obras paralisadas estava desatualizado
Flávio citou mais de 11.500 obras paralisadas e apresentou o dado como resultado de um relatório recente do Tribunal de Contas da União.
O Aos Fatos apontou que o levantamento mais atualizado registra 4.215 obras paralisadas. A cifra mencionada pelo candidato se aproxima de um retrato anterior: reportagem do Metrópoles, publicada em julho de 2025, informou que 50,7% das obras financiadas com recursos federais estavam paradas.
A distinção é relevante porque o estoque de obras interrompidas em uma determinada data não corresponde, automaticamente, a obras iniciadas ou paralisadas naquela gestão.
Recorde de feminicídios não equivale ao total de mulheres assassinadas
Outra declaração contestada foi a de que o governo Lula registra um recorde de mulheres assassinadas.
A checagem do Aos Fatos diferencia os indicadores: houve aumento dos feminicídios, mas queda no total de homicídios com vítimas mulheres no atual governo. Feminicídio é uma categoria específica de assassinato de mulheres, e os dois números não podem ser usados como equivalentes.
O reconhecimento da queda no total de homicídios de mulheres não elimina a gravidade do avanço dos feminicídios. A correção consiste em identificar qual indicador apresentou aumento, evitando atribuir o mesmo comportamento a todas as mortes violentas de mulheres.



