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Chuvas causam estragos em lavouras do Rio Grande do Sul



O Rio Grande do Sul já está enfrentando os efeitos do forte fenômeno El Niño que era previsto há alguns meses. Chuvas torrenciais nesta semana causaram enchentes e destruições em várias regiões do Estado. Até às 14h30 desta quinta-feira (23/7), havia 1.256 pessoas desabrigadas por causa das chuvas em 11 municípios, segundo dados atualizados pelo governo estadual. Também eram registrados 13 bloqueios totais em rodovias e sete parciais.
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Os prejuízos para os agricultores e pecuaristas ainda estão sendo avaliados pela Emater-RS, empresa pública de extensão rural do Estado. No entanto, segundo o diretor técnico da Emater-RS, Mateus Rocha, diversas localidades e propriedades estão isoladas pelas cheias de rios e córregos, com a interrupção de estradas vicinais e quedas de pontes, além da interrupção do fornecimento de energia elétrica em várias áreas.
Mesmo para quem não está sofrendo diretamente com as enchentes, as fortes chuvas, que chegaram a 240 milímetros em poucas horas em algumas localidades, estão causando fortes prejuízos nas lavouras, explica Rocha.
“As lavouras de inverno estão acabando de ser plantadas, e a terra sofre mais com a lixiviação, que ocorre quando a chuva em excesso leva embora a camada do solo com os principais nutrientes”, comenta.
Lavoura de aveia com erosão causada por chuvas em Cruzaltense (RS)
Diego Gasparetto/Arquivo pessoal
Foi o esse o problema que ocorreu na propriedade de Diego Gasparetto, no município de Cruzaltense, no norte gaúcho. A família do produtor havia plantado 20 hectares de trigo e 30 hectares com aveia para esta safra de inverno. No entanto, na terça-feira (21/7), choveram 120 milímetros em apenas seis horas. A enxurrada destruiu terraços da lavoura, levando embora terra, palhada e nutrientes, e abrindo fissuras de erosão.
“O estrago maior foi em um hectare, onde formou as valetas mais profundas. Mas a chuva levou embora terra, adubo e calcáreo de um oito hectares”, lamenta o produtor, que lembra do trabalho perdido para realizar o terraceamento adequado do terreno onde planta.
“Foi feito com um custo alto, e em uma noite acaba indo tudo embora. Se perde um serviço de anos e o investimento também”, afirma Gasparetto.
No município vizinho de Campinas do Sul (RS), Maurício Balbinot também teve perdas na propriedade. O produtor havia terminado de plantar sua área de trigo, de cerca de 110 hectares, há 20 dias, mas o solo ainda estava úmido com chuvas que caíram ao longo do mês. Quando ocorreram os temporais desta semana (cerca de 280 milímetros em três dias), levaram parte da terra e dos nutrientes embora. “Essa chuva abriu valas nas lavouras, e lavou o nitrogênio e a ureia que aplicamos, acabamos perdendo isso.”
Balbinot já se preocupa com a produtividade da lavoura, que este ano já foi menor do que os 225 hectares que costuma plantar devido ao temor de perda de qualidade no trigo devido aos efeitos do El Niño. “A plantação já não havia nascido de acordo com o que tinha que ser, com a quantidade de sementes por metro, porque havia chovido muito quando ainda não tinha germinado o trigo. Então já estamos tendo perdas em cima de uma produtividade que já estava sendo menor”, lamenta.


Globo Rural

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