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Claudia Raia fala sobre insônia e pânico na gestação; especialista faz alerta sobre saúde mental

Durante participação na abertura do programa de Mari Palma na CNN Brasil, Claudia Raia relembrou momentos delicados da gestação de seu terceiro filho, Luca. Aos 56 anos, a atriz enfrentou episódios graves de ansiedade e pânico. De acordo com a artista, os sintomas começaram após o sexto mês de gravidez e se intensificavam no período noturno, impedindo que ela conseguisse dormir.

Na ocasião, Claudia relatou taquicardia e a sensação de ter “uma pata de elefante no peito”. Para o portal da Caras Brasil, a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, analisou os relatos da atriz e explicou o impacto do pânico e da falta de sono na saúde materna.

O que realmente causa o pânico na gestação?

Durante a entrevista, Claudia Raia explicou que procurou ajuda psiquiátrica na época. De acordo com a atriz, o médico apontou uma diferenciação importante: “você não tem pânico, você está em pânico”. O profissional relacionou as crises às alterações da menopausa, já que a gravidez ocorreu durante tratamentos hormonais. Posteriormente, a artista revelou que as crises retornaram após o término da amamentação, exigindo acompanhamento medicamentoso.

No entanto, a psicóloga perinatal ressalta que o pânico não pode ser atribuído exclusivamente aos hormônios. De acordo com Rafaela Schiavo:

“Ter medo de dormir à noite ou sentir pânico não é um fenômeno comum durante a gestação. Algumas pessoas vão apresentar transtornos mentais nesse período, e mais da metade apresentará alterações emocionais significativas, que configuram um sofrimento psicológico, mas que não chegam ao nível de um transtorno mental.”

Conforme a especialista, a alta ansiedade surge do conjunto entre o momento atual e o histórico do passado. A psicóloga pontua que a gestação pode trazer à tona questões psicológicas reprimidas e inconscientes, muitas vezes atreladas à infância ou ao histórico familiar de transtornos mentais. Além disso, fatores ambientais — como ter rede de apoio, estabilidade financeira e o suporte do parceiro — influenciam diretamente no equilíbrio emocional da gestante.

O ciclo da insônia e o aumento do cortisol

Um dos pontos centrais do relato de Claudia foi a incapacidade de dormir. A atriz descreveu um estado de inquietação contínua durante as madrugadas. Sobre essa queixa, a psicóloga perinatal faz uma distinção técnica: a insônia não causa o pânico, mas sim funciona como um sintoma da ansiedade já instalada.

De acordo com Rafaela, a privação de sono cria um ciclo perigoso para o organismo:

“A privação de sono causa muito estresse, deixando a pessoa vulnerável a desenvolver outros transtornos mentais, sim. Existe, sim, um ciclo. A pessoa começa a ter insônia e, quando a noite se aproxima, já bate aquela ansiedade: ‘Será que eu vou conseguir dormir? Eu preciso dormir, amanhã tenho que dar conta de tal coisa’.”

Conforme a especialista, a falta de descanso eleva a liberação do hormônio cortisol no corpo. Essa alteração gera riscos físicos e emocionais, como o aumento da probabilidade de parto prematuro, pré-eclâmpsia (pressão alta), dificuldades na amamentação, prejuízos no vínculo mãe-bebê e maior incidência de depressão pós-parto.

Quando buscar ajuda médica e psicológica?

A especialista enfatiza que alterações drásticas de comportamento jamais devem ser normalizadas na gravidez. Conforme aponta a profissional, a ansiedade leve ou moderada em relação ao futuro é esperada. Contudo, quando a mulher passa a sentir medo extremo, irritabilidade constante ou insônia, o quadro exige avaliação imediata.

De acordo com a psicóloga perinatal, o tratamento varia conforme a gravidade do diagnóstico:

“Já no caso de um transtorno mental como o pânico, o tratamento deve ser feito não só com psicoterapia, mas também com o uso de medicação prescrita por um psiquiatra.”

Por fim, Rafaela lembra que o Brasil conta com a Lei 14.721. A legislação garante o acompanhamento psicológico na gestação, no parto e no pós-parto pelo SUS e pela rede privada, assegurando a triagem da alta ansiedade e o encaminhamento para o tratamento adequado.

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