Claudio Carsughi e o legado para o automobilismo brasileiro

Claudio Carsughi, um dos nomes mais respeitados do jornalismo esportivo brasileiro, morreu nesta quinta-feira (10), aos 93 anos, em São Paulo. O jornalista estava internado no Hospital Nova Vila Star para tratar uma infecção respiratória, mas o quadro se agravou e evoluiu para uma falência múltipla de órgãos. Ao longo de mais de sete décadas de carreira, Carsughi se tornou uma das principais referências do país na cobertura de automobilismo, especialmente da Fórmula 1, além de ter acompanhado grandes momentos do futebol mundial.
Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi chegou ao Brasil em março de 1946, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Sua trajetória no jornalismo começou ainda jovem, em 1950, quando participou da cobertura da Copa do Mundo como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport. A experiência abriu caminho para uma carreira que seria marcada pela presença em grandes eventos esportivos e por coberturas internacionais durante décadas.

No Brasil, o jornalista construiu uma trajetória extensa em rádio, televisão e imprensa especializada. Passou por emissoras como Jovem Pan e Bandeirantes e também trabalhou em canais de televisão como ESPN, SporTV, TV Brasil, TV Paulista e TV Record. No segmento de automobilismo, teve participação importante em revistas especializadas e foi editor de publicações, com destaque para a Quatro Rodas. Sua capacidade de analisar corridas e pilotos, aliada a um estilo sereno e criterioso, fez com que conquistasse o respeito de diferentes gerações de profissionais e fãs do esporte.
Conhecido pelo apelido de “Mestre Carsughi”, o jornalista se notabilizou justamente por fugir do tom exagerado e pela busca constante por análises técnicas e precisas. Sua voz se tornou familiar para quem acompanhava a Fórmula 1 e outras categorias do automobilismo, em uma época em que o acesso às informações sobre as principais competições internacionais era muito mais restrito. Para além das pistas, Carsughi também deixou sua marca na cobertura esportiva de maneira mais ampla, acompanhando Copas do Mundo e outros acontecimentos relevantes do futebol.

Além do jornalismo, Claudio Carsughi tinha formação em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), conhecimento que ajudou a fortalecer sua autoridade ao tratar de temas relacionados à parte técnica do automobilismo. Segundo a filha, Claudia Carsughi, o jornalista enfrentou a internação durante 27 dias. “Lutou heroicamente por 27 dias e partiu em paz. Peço orações pra ele e força pra nós”, afirmou ela em um vídeo publicado nas redes sociais.
Carsughi deixa dois filhos, Edoardo e Claudia, além de um legado que atravessa diferentes fases do jornalismo esportivo brasileiro. Sua carreira começou antes mesmo da consolidação da televisão no país e acompanhou as transformações do rádio, da imprensa escrita e das transmissões esportivas. A morte do “Mestre” encerra uma trajetória de 76 anos dedicada ao jornalismo e deixa como marca a contribuição de um profissional que ajudou a aproximar gerações de brasileiros do automobilismo e dos grandes eventos esportivos internacionais.

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