Economia

cobre compensa custos em ferro e níquel no 3T26; ações sobem após resultado

A Vale (VALE3) divulgou resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26) na noite de quinta-feira (29) sem grandes surpresas em termos operacionais, mas com alguns sinais positivos que ajudaram a aliviar parte das preocupações do mercado. Com isso, e em meio à queda de cerca de 15% até a véspera, as ações tinham recuperação nesta sexta-feira (30) e subiam 3,61%, a R$ 62,20.

A mineradora teve lucro de US$ 1,255 bilhão de forma líquida (atribuível aos acionistas) no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% frente um ano antes.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) veio praticamente em linha com as estimativas dos analistas, enquanto a geração de caixa, a manutenção do guidance de produção e o desempenho da divisão de cobre foram os principais destaques do período.

A mineradora reportou Ebitda ajustado pro forma de US$ 3,5 bilhões no trimestre, queda de cerca de 14% ante o segundo trimestre e de 20% na comparação anual, refletindo principalmente preços realizados mais baixos para o minério de ferro e pressão sobre custos. Ainda assim, o resultado veio praticamente em linha com as projeções de XP, Itaú BBA, Bradesco BBI, Morgan Stanley e JPMorgan.

O lucro líquido, por outro lado, decepcionou parte do mercado, já que o resultado atribuível aos acionistas ficou em US$ 1,26 bilhão, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactado por impairment, despesas relacionadas a Brumadinho, pior resultado de equivalência patrimonial e efeitos financeiros.

Já a geração de caixa foi um destaque positivo na visão dos analistas. O fluxo de caixa livre recorrente alcançou US$ 1,4 bilhão, enquanto o fluxo de caixa operacional somou US$ 2,5 bilhões, superando as projeções de diversas instituições. A dívida líquida expandida recuou para US$ 16,4 bilhões, permanecendo confortavelmente dentro da faixa de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões perseguida pela companhia.

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Para o Bradesco BBI, a geração de caixa foi o principal aspecto positivo do trimestre, ajudada por incentivos fiscais, liberação de capital de giro e liquidação de derivativos. O banco destaca que o fluxo de caixa livre recorrente implica rendimento anualizado próximo de 12%.

O Morgan Stanley foi na mesma direção e ressaltou que o fluxo de caixa operacional de US$ 2,5 bilhões veio significativamente acima das estimativas do mercado. A casa acredita que esse ponto deve contribuir para uma reação positiva das ações após o balanço.

Minério continua pressionado

O desempenho da divisão de minério de ferro seguiu sendo o principal foco de preocupação. A produção somou 88,4 milhões de toneladas, queda de 6% na comparação anual, refletindo principalmente a menor disponibilidade de minério em Serra Norte, ativo considerado um dos mais rentáveis da companhia.

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Além da produção menor, a Vale registrou piora no mix de produtos, com o preço realizado do minério em queda para US$ 85,1 por tonelada, cerca de 10% abaixo do trimestre anterior. O movimento foi agravado por ajustes FOB (valor que representa o preço da mercadoria e os custos associados até o momento em que ela deixa o local de origem) e pela redução dos prêmios de qualidade.

O Goldman Sachs vê este ponto como a principal preocupação para 2027, com a exaustão mais acelerada de Serra Norte e a crescente dependência de compras de minério de terceiros levantando dúvidas sobre a sustentabilidade da produção e da rentabilidade nos próximos anos. Para os analistas, o risco é que a qualidade do mix continue se deteriorando e pressione margens.

Já o Bradesco BBI ressalta que, apesar da fraqueza operacional, a Vale manteve inalterada sua projeção de produção de minério para 2026, ainda que apontando para o piso da faixa de 335 milhões a 345 milhões de toneladas. Isso implica uma produção próxima de 93 milhões de toneladas no quarto trimestre.

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Já a divisão de metais básicos voltou a ser o destaque positivo. O Ebitda da Vale Base Metals alcançou aproximadamente US$ 1,1 bilhão, crescimento de mais de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi sustentado principalmente pelo cobre, que se beneficiou de preços realizados mais elevados e créditos de subprodutos.

O Ebitda do cobre ficou próximo de US$ 1 bilhão, acima das estimativas do mercado. Segundo XP e Goldman Sachs, os preços realizados surpreenderam positivamente e compensaram parcialmente a queda na produção provocada pela manutenção programada em Sossego.

Além disso, a companhia manteve o guidance de cobre e níquel para 2026 e indicou que ambas as commodities devem encerrar o ano na metade superior das faixas projetadas.

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Custos dividem opiniões

O custo caixa C1 (que mede o custo caixa de produção de uma tonelada de minério) do minério ficou em US$ 23,1 por tonelada, abaixo do esperado por parte dos analistas. Já o frete marítimo atingiu US$ 22,8 por tonelada, mas permaneceu muito abaixo da rota de referência Brasil-China graças ao programa de hedge e aos contratos de longo prazo mantidos pela companhia.

A XP destacou que a combinação entre câmbio mais favorável e ganhos de eficiência pode aliviar parte das pressões de custos nos próximos trimestres.

O Goldman, entretanto, continua mais cauteloso, alertando que os preços do diesel, custos de frete e mudanças no mix operacional podem continuar pressionando a estrutura de custos em 2027, especialmente se houver redução dos subsídios ao diesel no Brasil.

Mercado segue dividido

A XP classificou o balanço como “neutro a marginalmente positivo”, destacando a manutenção do guidance, a disciplina de custos e a forte geração de caixa.

O Itaú BBA também considerou os resultados em linha com as expectativas, avaliando que os volumes maiores e os custos melhores compensaram parcialmente a pior realização de preços. O banco mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para VALE3, com preço-alvo de R$ 94.

Já o Bradesco BBI reiterou recomendação outperform e afirmou que a queda recente das ações já incorporou boa parte dos riscos ligados ao minério de ferro e ao mix de produção.

O Goldman Sachs, por sua vez, segue mais cauteloso, seguindo recomendação neutra e avaliando que as principais dúvidas para os investidores estão menos relacionadas aos resultados do trimestre e mais à capacidade da Vale de preservar volumes, qualidade do minério e custos competitivos em 2027.

Infomoney

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