Política

Frentes populares convocam Plenária Estadual da Vitória no próximo dia 4, em Belo Horizonte

Passado o 2º turno das eleições de 2026, fica o saldo de uma virada histórica que reconduziu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à cadeira da presidência pela quarta vez. Em Minas Gerais, único estado em que houve virada no resultado entre as duas etapas da eleição, impulsionada pela reversão do resultado em 76 municípios, especialistas destacam a  importância da mobilização popular. 

Movimentos organizados convocam a “Plenária Estadual da Vitória das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo em Minas Gerais”. A reunião acontece na próxima quarta-feira (4), às 19h, em formato híbrido. O encontro presencial será realizado no Centro Popular de Educação Carolina Maria de Jesus (Cepec), em paralelo ao formato remoto. 

“Em Minas Gerais, as frentes populares são esse polo aglutinador e, no segundo turno,  capitanearam as mobilizações de rua como esse espaço de articulação. Também potencializaram a organização do trabalho de base, que foi fenomenal nesse estado. Tanto que conseguimos reverter uma eleição, mobilizar setores que estavam adormecidos para que pudesse, nas urnas, derrotar a extrema direita, o neofascismo e o imperialismo estadunidense”, explica Nei Zavascki, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas.

“A plenária fará um balanço da nossa vitória, mas, principalmente, serve para organizarmos os próximos passos. É essencial que todas as pessoas que se envolveram na campanha do Lula em Minas Gerais participem. Vamos debater como manter as brigadas atuantes nas periferias, seguir convocando mobilizações e como não perder o salto de qualidade que tivemos na atuação nas redes sociais”, aponta Ana Carolina Vasconcelos, integrante da secretaria das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo em Minas Gerais.

Para ela, o próximo período será de muitas lutas, seja  para sustentar o governo Lula, diante das tentativas de golpe e do crescimento da extrema direita nos parlamentos e nos governos de estados importantes; mas também para “dar condições de que esse governo seja ainda mais avançado e consiga deixar como marca transformações radicais da nossa sociedade, com reformas estruturais e conquistas econômicas para o povo brasileiro”.

A importância das Frentes no 2º turno

Como explica Vasconcelos, logo após o resultado do 1º turno, foi organizada uma plenária semelhante que contou com a participação de mais de 5 mil lideranças políticas de todo o estado. Dessa plenária, surgiu a organização de brigadas em Belo Horizonte e nas cidades do interior, com a tarefa de virar voto. 

“Só em BH foram 9 brigadas [uma para cada regional da cidade], que juntas agruparam mais de 4 mil voluntários. As frentes também convocaram um calendário de lutas de massas, assim como o movimento estudantil. Fizemos diversas manifestações de rua, que estão entre as maiores que aconteceram no estado nas últimas décadas”, acrescenta ela.

Outro aspecto citado pela militante é o fortalecimento da atuação nas redes sociais, através da criação de uma rede de grupos de WhatsApp que serviam para enviar missões diárias, reforçando o trabalho conduzido pelo deputado federal André Janones (Rede), no Canal “Exército do Lula”.

A luta continua 

No mesmo sentido, Zavascki reforça que, nesse momento de enfrentamento ao imperialismo e à extrema direita, existe a necessidade de uma unidade entre amplos setores da sociedade. 

“A Plenária Estadual da Vitória é extremamente importante para gerar oportunidade aqueles trabalhadores e trabalhadoras, juventude, mulheres, população LGBT, profissionais liberais, pequenos comerciantes — todos esses setores que se mobilizaram para derrotar o neofascismo, o bolsonarismo e o imperialismo — tenham espaço para colocar suas demandas, para se organizar e manter a sua mobilização”, explica o dirigente. 

Assim, Vasconcelos e Zavaski apontam que é central superar a mobilização para o processo de eleição, organizando essas pessoas para um processo de avanço no direito dos trabalhadores, de mudança na política econômica brasileira, de mudança da forma de fazer política desse da democracia representativa. 

“E que a gente possa avançar em uma democracia participativa, em que as pessoas sejam sujeitos das transformações e desse processo de conquista de direitos”, complementa Nei. 

“Os problemas com os quais nós lidamos no cotidiano e que nos geram “revolta” são problemas coletivos, fruto da forma como o sistema capitalista, racista e patriarcal organiza a nossa sociedade e da escolha política das elites que vivem no Brasil. Então, se esses problemas são coletivos, a resposta para eles também é coletiva, e não individual”, complementa Vasconcelos.

Para ela, o segundo turno da eleição mostrou como o povo brasileiro é forte quando atua de forma coletiva e organizada, conseguindo derrotar os Estados Unidos, a Meta, as Big Techs, os conglomerados de comunicação, o agronegócio, a mineração, e todos os setores que sustentam a extrema direita brasileira. 

“Também é em coletivo e organizados, fazendo luta de massas, que vamos conseguir erradicar de vez a fome, fazer a reforma agrária, fazer a reforma urbana, melhorar as condições de trabalho, melhorar a segurança pública, a educação e a saúde, lidar com o problema do custo de vida, e estabelecer uma perspectiva de futuro para o Brasil. Se seguirmos mobilizados, podemos conseguir muito mais, como a tarifa zero aos fins de semana em todo o país”, destaca a militante.

Entenda o que são as Frentes 

As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo surgiram como agrupamentos de centenas de organizações políticas, partidos de esquerda, movimentos populares, coletivos e sindicatos. A organização veio em resposta ao retrocesso enfrentado pela classe trabalhadora a partir de 2015, com o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. 

“As frentes surgem nesse contexto de ascensão da extrema direita no Brasil, para o enfrentamento a essa expressão do neofascismo. Em um primeiro momento, como duas frentes separadas, mas no desenvolver da luta política e mais especificamente neste último período — com essa ação do imperialismo decadente estadunidense, que nesse momento busca subordinar o conjunto da América Latina para saquear os recursos naturais e salvar a economia decadente daquele país — se mobilizando no sentido de se unificarem”, explica o dirigente do MST. 

Neste sentido, Vasconcelos conclui que o primeiro desafio é manter a mobilização. Isso porque, menos de uma semana após o resultado eleitoral e com Lula eleito com uma ampla margem de diferença de votos, a família Bolsonaro e parte da extrema direita insistem em questionar o resultado das urnas, alegando que as eleições foram fraudulentas. 

“Por isso, de forma imediata, precisamos estar atentos às movimentações golpistas. Elegemos o Lula, mas queremos que ele consiga tomar posse. Precisamos também seguir mobilizados para ter nas ruas a força social necessária para que o 4° governo Lula consiga implementar o programa eleito, e avançar nas transformações estruturais do nosso país. A presença da extrema direita na Câmara Federal e no Senado ficará ainda maior na próxima legislatura, o que vai exigir mobilização permanente para aprovarmos conquistas para o povo brasileiro e impedirmos retrocessos no legislativo”, concluí ela. 

Serviço 

Plenária Estadual da Vitória das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo em Minas Gerais

Data:  04/11 (quarta feira)
Horário: 19h

Plenária Híbrida – sala virtual para os interiores participarem, e presencial para quem conseguir participar  em Belo Horizonte: Rua Sapucaí, 571.

Se inscreva no link: https://forms.gle/xSm1FejaCq6dnDjg8 




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