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Com projeto de R$ 1 milhão, Tarsila do Amaral tem casarão de infância restaurado no interior paulista

Ela é considerada a artista que melhor alcançou as aspirações brasileiras de expressão nacionalista. Nascida em uma família abastada de fazendeiros no interior do estado de São Paulo, a pintora Tarsila do Amaral cresceu em um ambiente de riqueza gerada pelo cultivo de café. Esse sucesso histórico e familiar se materializa na Fazenda São Bernardo, o refúgio onde ela viveu até os nove anos de idade. Em 2016, o casarão principal passou por um projeto de restauração estimado em aproximadamente R$ 1 milhão para se tornar um polo cultural e museu interativo.

A propriedade histórica, que mantém características originais como as paredes de pau a pique, está sendo cuidadosamente transformada para receber visitantes e resgatar o movimento modernista. Saiba mais sobre a história do casarão de infância de Tarsila do Amaral e seu impacto cultural.

A origem e os tempos de menina na fazenda

Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886 no casarão da Fazenda São Bernardo. A artista veio de uma família rica de latifundiários. Seu pai, José Estanislau do Amaral Filho, era inclusive conhecido na região como “o milionário”, devido à imensa fortuna que acumulou com fazendas no interior paulista.

Apesar de os costumes da época não incentivarem grandes carreiras profissionais femininas, ela teve total apoio financeiro para estudar arte em Barcelona e, mais tarde, na renomada Académie Julian, em Paris.

As memórias da fazenda marcaram sua vida de forma profunda, a ponto de a artista declarar em cartas que desejava ser, na arte, a mesma garotinha de São Bernardo que brincava com bonecas de palha.

O casarão histórico e o novo museu interativo

A propriedade é uma remanescente das fazendas cafeeiras do final do século XIX. Atualmente, o local passa por uma restauração cuidadosa, cujo objetivo é transformar a casa em um museu interativo ligado ao modernismo. A primeira etapa do restauro focou na recuperação estrutural da casa e contou com uma verba inicial de R$ 424 mil.

Algumas das principais características do imóvel incluem:

  • A estrutura principal é feita de pau a pique e barrotes de bambu amarrados com cipó.

  • A casa possui um tradicional telhado de quatro águas que exibe telhas desde 1875.

  • A fachada é contornada por janelas retangulares de madeira pintadas na cor azul.

Casarão da Tarsila do Amaral – Foto: Laila Braghero/G1

O refúgio caipira em Rafard

A Fazenda São Bernardo está localizada na zona rural do município de Rafard. Antes da emancipação política da cidade, a área onde a propriedade está assentada pertencia ao município de Capivari.

O espaço abriga não apenas o casarão principal, mas também cerca de trinta pequenas moradias, escola, igreja, laboratório da usina e cocheira. A organização social Abaçaí Cultura e Arte, que recebeu o local como doação em 2014, planeja transformar a área no “Quadrante Caipira”.

O projeto visa fomentar a cultura do interior por meio de passeios turísticos, apresentações e aulas de teatro e música. A visitação ao local já acontece atualmente, mas exige agendamento prévio.

Fortuna cafeeira e o investimento de R$ 1 milhão

O patrimônio da família de Tarsila foi erguido durante o período de monocultura cafeeira, atravessando a transição da força de trabalho escrava para a mão de obra livre. A riqueza acumulada pelo pai da artista justificava o luxo e o status que a propriedade representava há 150 anos.

Para recuperar toda essa grandiosidade e revitalizar o complexo, a organização responsável prevê que a intervenção completa em todos os prédios da entidade deverá custar aproximadamente R$ 1 milhão, segundo o G1. A importância do investimento se justifica também pelo valor histórico do local, que é tombado parcialmente pelo Condephaat desde o ano de 2011.

O legado de Tarsila do Amaral

Tarsila de Aguiar do Amaral foi uma pintora, desenhista e escultora, considerada uma das principais artistas modernistas latino-americanas. Ela foi fundamental para a formação da estética modernista no Brasil e integrou o histórico Grupo dos Cinco ao lado de figuras como Anita Malfatti e Oswald de Andrade.

Foi ela quem, em 1928, pintou o célebre quadro Abaporu, obra que inspirou o famoso Manifesto Antropófago. Além de suas mais de 230 pinturas cadastradas, seu prestígio internacional se mantém vivo em grandes museus, como provam as recentes exposições retrospectivas realizadas no MoMA, em Nova Iorque, em 2018, e no Museu de Luxemburgo, em Paris, entre 2024 e 2025.

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