Como é a vida de um banqueiro bilionário numa penitenciária de Brasília

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O banqueiro Daniel Vorcaro vem tentando quebrar a rotina na cela desde que foi transferido em junho para o presídio do 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília, conhecido como ‘Papudinha’, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso da fraude do Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
Investigado por ter provocado um rombo que pode chegar a 60 bilhões de reais, Vorcaro está preso na mesma cela que abrigou o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Trata-se de um espaço de cerca de 60 metros quadrados, com cama de casal, banheiro e pequena área externa. O banqueiro pode usar a academia da unidade.
Recentemente, ele quis mobiliar sua cela e se dispôs a pagar pelas despesas, mas não foi autorizado. O banqueiro queria comprar um sofá para fazer suas leituras diárias. A direção do presídio, segundo pessoas que acompanharam as conversas, não abriu o precedente, sob pena de ter de atender demandas de outros detentos.
O banqueiro passa os dias lendo a Bíblia e livros de cunho religioso. Vorcaro e sua família são ligados à Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte. Além da leitura, ele passa parte dos dias fazendo exercícios físicos dentro da cela, o que inclui uma série de flexões e abdominais.
Vorcaro, segundo três pessoas que conversaram com ele recentemente, perdeu alguns quilos e não exibe mais a musculatura, a barba e a cabeleira de antes. O cabelo está ‘espetado’, raspado rente à cabeça. Ele passa os dias com camisa, calça e chinelos fornecidos pelo presídio.
O banqueiro só toma banho de sol em horários diferenciados dos outros presos. A ordem do Supremo é evitar contato de Vorcaro com outros detentos, em especial o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que ocupa outra cela, já que os dois são em tese cúmplices em crimes. A comida é a mesma quentinha que é servida para os policiais que vigiam as celas.
O banqueiro recebe os advogados duas horas por dia. Uma vez por semana, recebe também a visita da mãe e do casal de filhos. Ao contrário de outros presos que são casados, Vorcaro, agora sem namoradas, não recebeu visita íntima.
Nos últimos dias, Vorcaro tem se debruçado sobre o rascunho de sua terceira proposta de delação premiada, já que as duas primeiras não foram aceitas nem pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República. Os investigadores concluíram que o banqueiro estava sonegando informações. As delações precisam trazer fatos novos, acompanhadas de provas.
O banqueiro reclamou com advogados que suas duas primeiras delações foram ‘abortadas’ antes mesmo de apresentar um ‘anexo patrimonial’. Ele sustenta que possui ativos financeiros que valem dezenas de bilhões de reais, que poderiam cobrir o rombo que causou — e que pouco lhe preocupava nos tempos de glória.
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