Política

Como Lula e Flávio trataram o dia de Nossa Senhora Aparecida após polêmica na campanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial, participaram nesta segunda-feira, 12, de missas em Brasília em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, cujo dia é comemorado neste feriado. A necessidade de mostrar devoção à santa mobilizou os dois candidatos depois que ela virou tema da campanha — o presidenciável do PL teve que se defender de uma fake news em que era acusado de planejar tirar dela o posto de Padroeira do Brasil.

Lula participou de uma missa em homenagem à santa na capela do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, acompanhado da primeira-dama, Janja, de ministros e de integrantes de sua campanha. Depois da celebração, defendeu o respeito entre diferentes crenças e afirmou que Nossa Senhora Aparecida é alvo de ofensas por parte de religiosos que, segundo ele, não respeitam outras religiões. “Ninguém é obrigado a ser da mesma religião”, declarou. O presidente também disse que, enquanto estiver no cargo, a santa continuará sendo a padroeira do Brasil.

Depois da missa, Lula voltou a abordar outros temas de campanha. Ao comentar o custo de vida, reconheceu que os alimentos continuam caros nos supermercados e prometeu manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação. Também voltou a criticar o uso de recursos familiares em apostas on-line. Na área de segurança pública, o presidente prometeu transformar 138 unidades prisionais estaduais em presídios de segurança máxima para isolar líderes de facções criminosas.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, participou de uma missa na Catedral Metropolitana de Brasília, acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL), e de aliados. O senador ocupou um lugar na primeira fila, próximo ao altar, e foi citado nominalmente pelo pároco, Agenor Vieira, na abertura da celebração. A participação na missa foi um gesto público de aproximação com o eleitorado católico em meio à controvérsia.

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Alckmin em Aparecida

Entre os políticos das chapas presidenciais, apenas o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) foi ao Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, onde acompanhou a celebração solene ao lado da mulher, Lu Alckmin, e de aliados políticos. Alckmin, que é do Vale do Paraíba paulista — onde fica Aparecida — manteve a tradição de visitar o local no feriado de 12 de outubro, que cultiva há cerca de quatro décadas.

Alckmin e a esposa Lu, com o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva (segurando a imagem da santa), na basílica, em Aparecida (SP) (X/Geraldo Alckmin/Divulgação)
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Antes da missa, o vice-presidente afirmou que pediria a intercessão da santa pelo futuro do Brasil e pela recuperação do papa Leão XIV, que passou por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão. Ele esteve acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB) e da deputada Tabata Amaral (PSB).

A passagem de Alckmin pelo santuário teve recepção dividida. O vice-presidente ouviu aplausos e manifestações de apoio a Lula, mas também vaias e gritos contrários ao governo. Entre as palavras de ordem registradas estavam “Viva, Alckmin” e “Viva o Lula”, de um lado, e “Fora, Lula”, de outro.

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