Saúde

Como retomar (ou criar) o hábito da leitura

O brasileiro passa, em média, 116 horas semanais conectado à internet, enquanto menos da metade da população é considerada leitora — a menor proporção registrada desde 2007, segundo a edição mais recente da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Um novo vídeo ou trend para acompanhar, uma notificação a conferir ou uma novelinha vertical esperando pelo próximo episódio: são estímulos que entregam uma recompensa rápida, enquanto um livro pede mais tempo e atenção. Mas o esforço vale a pena. Além de ser uma delícia, ler expande o vocabulário, desenvolve a criatividade, estimula a empatia e reduz os níveis de estresse. Como cultivar (ou retomar) o hábito da leitura em meio a tantas telas?

É preciso alguma disciplina para entrar no ritmo da leitura: estabelecer um horário, seja depois do trabalho, seja antes de dormir, e, principalmente, manter o celular longe. Com o tempo, a prática vai virando parte da rotina e você começa a sentir falta desse momento quando não consegue encaixá-lo no dia. Dez minutos diários são um bom começo. Lendo 20 páginas por dia, dá para acabar uma obra curtinha em 15 dias ou um livro mais robusto em um mês.

Agora, se você escolheu um título, começou a ler e não pegou gosto, insista por mais algumas páginas — mas não mais do que isso. A vida é muito curta (e o mercado editorial, grande demais) para ficarmos lutando com uma história que nem dá prazer, nem acrescenta algo.

O livro certo, na hora certa

Nada melhor do que um bom livro para fazer companhia na sala de espera do consultório médico, no transporte público ou em um almoço solo. Se ele não estiver por perto, aliás, provavelmente será substituído por uma rolagem sem fim em alguma rede social. Talvez não dê para carregar um calhamaço de mil páginas para todo lado, mas, se aquele título fininho ou o leitor de livros digitais estiver sempre na bolsa ou na mochila, a chance de recorrer a ele em um momento de tédio aumenta bastante.

Se só de olhar para um exemplar gigante já dá vontade de ligar a TV, provavelmente o “Grande Sertão: Veredas” vai ter que ficar para outra hora. Já que a satisfação de concluir uma história é o melhor incentivo para engatar na próxima, por que não eleger uma obra de poucas páginas para começar? Enredos envolventes, daqueles que prendem de cara, também são uma boa pedida para reacender o hábito. Quando faz meses que você não consegue pegar em um livro, é mais fácil desistir de um texto que exige voltar algumas linhas para entender ou ler o mesmo parágrafo três vezes.

Além do papel

Se ainda estiver difícil ler, que tal ouvir? A Audible, serviço de audiolivros por assinatura, tem um catálogo com mais de 165 mil títulos, de clássicos a best-sellers contemporâneos. A plataforma também tem investido em dramatizações: “1984”, de George Orwell, ganhou versão com Lázaro Ramos e Alice Carvalho, e “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, tem Julia Dalavia e Rodrigo Simas no elenco. Já na Supersônica, as obras da vencedora do Nobel Annie Ernaux podem ser ouvidas na voz da atriz Isabel Teixeira, e a psiquiatra e escritora Natalia Timerman é uma das autoras que narram seus próprios livros. Storytel, Skeelo, Tocalivros e Ubook são outras opções no mercado brasileiro de audiolivros.

Os filmes e séries também podem ser aliados na hora de descobrir sua próxima leitura. Procure o título que deu origem à adaptação e veja como a narrativa chegou às telas. Gostou de determinada autora? Busque outros livros dela e aventure-se por enredos que partem de um universo que você já conhece. Quando o ponto de partida é familiar, tudo flui com mais facilidade.

Boas influências

Nas redes sociais, há muitos perfis bacanas dedicados à literatura. Um exemplo é o advogado e criador de conteúdo Pedro Pacífico, que lançou a terceira edição de seu clube Bookster pelo Mundo, em parceria com a TAG Livros. Entre as 12 edições exclusivas que os assinantes recebem em casa para serem lidas ao longo do ano, há títulos de países como Coreia do Sul, Austrália, Tanzânia e Honduras.

Outra boa pedida é o Clube de Cultura do Calma Urgente, que tem leituras mensais e debates com a comunidade criada pelos apresentadores do podcast homônimo, Alessandra Orofino, Bruno Torturra e Gregório Duvivier.

Vinícius Barbosa, que é mestre em História e produz conteúdo no @latinaleitura, prioriza livros que se passam na América Latina ou tratam dessa identidade, tanto na ficção quanto na não ficção. Já as irmãs Pétala e Isa Souza usam o @afrofuturas para compartilhar dicas de leitura decoloniais, histórias futuristas e antirracistas.


Informação

Folha de São Paulo

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