Confederação Asiática se junta à Uefa e Concacaf contra projeto da Fifa

A AFC (Confederação Asiática de Futebol) se alinhou nesta sexta-feira com a Uefa e a Concacaf em sua rejeição ao projeto da Fifa de criar uma sociedade comercial aberta a investidores privados.
“Dada a posição expressa pela Uefa e pela Concacaf, bem como as divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC acredita que a proposta da FFE (FIFA Forward Enterprise) não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”, enfatizou a confederação de 47 membros, 46 dos quais também são membros da Fifa.
Sem se opor claramente ao projeto, a AFC avalia que “qualquer proposta que possa minar a unidade e o caráter universal” da Copa do Mundo “deve ser reconsiderada”, um dia após a ameaça de boicote às competições Fifa realizada pela UEFA, e a oposição unânime expressa pela Concacaf.
Para a AFC, este projeto “evidenciou as fraquezas fundamentais do processo de consulta e tomada de decisões da Fifa”, e pediu à instituição mundial que proceda “com urgência a uma revisão de seu marco de governança”.
“Uma proposta desta importância, suscetível de influenciar o futuro comercial, esportivo e estratégico do futebol mundial, não deve seguir adiante após um processo que pudesse dar a sensação de ter deixado de lado as confederações, federações membros e até mesmo altos funcionários da Fifa”, detalhou a AFC.
Apesar dessa forte reação negativa, a Fifa reafirmou nesta sexta-feira seu compromisso de continuar o processo de consulta “aberto e democrático” para concluir com sucesso este projeto, cujo principal objetivo é aumentar o financiamento para o desenvolvimento do futebol para US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos.
Investidores privados poderiam ter ações em uma nova empresa criada com esse objetivo, a FIFA Forward Enterprise (FFE), mas se manteriam como minoritários, em torno de 20%, prometeu a instituição, que quer arrecadar até US$ 4,2 bilhões de dólares, cifra calculada sobre um valor estimado de FFE de US$ 20 bilhões.
A Fifa assegura que conservará o controle exclusivo desta empresa, além de “a autoridade exclusiva” sobre a governança do futebol, as competições, o calendário e regulamento.
Se o projeto seguir adiante, cada uma das 211 federações membros poderia receber um bônus extraordinário de US$ 20 milhões no início de 2027, e o financiamento para o período 2027-2030 passaria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões.
Esporte / Folha de São Paulo



