Copom vê “aumento da incerteza” e diz que cenário econômico exige “cautela”

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (22/9), a ata referente à reunião de agosto. No último encontro, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, o que levou o índice para 13,75% ao ano.
O comunicado oficial da última reunião reforça cautela diante do cenário econômico por enxergar “aumento da incerteza”. Na ata, não há sinais sobre novos cortes de juros.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz trecho da ata.
O colegiado projeta inflação a 5,2% para o fim de 2026.
Os diretores do Banco Central que formam o Copom afirmam na ata que explica decisão que reduziu os juros que há incertezas sobre o patamar de juros para o futuro “em algumas economias avançadas”, a guerra no Oriente Médio e os preços das commodities.
Em relação ao ambiente interno, o BC vê uma desaceleração da inflação e da atividade econômica, especialmente em alguns setores, no entanto, diz estar atento ao mercado de trabalho que segue com taxa de desemprego em “patamares historicamente baixos”.
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do Metrópoles
“O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando
a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”, assinala.
A atenção do Copom sobre a dimensão estrutural do trabalho ocorre em paralelo à tramitação de uma mudança na legislação que pode por fim à escala 6 por 1.
Em relação à situação fiscal, diante do anúncio em meio à corrida eleitoral, pelo governo, de medidas que implicam em gastos, o Comitê considera que há uma “esmorecimento” na disciplina fiscal.
“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, pontua.
As estimativas para os próximos anos são as seguintes, confira abaixo:
- Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 12% ao ano;
- Para 2028, a estimativa continua em 10,50% ao ano;
- Para 2029, a estimativa é de 10% ao ano.
Próximas reuniões do Copom:
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.
Em atualização.
Metrópoles



