Educação pauta debate entre candidatos ao governo do DF promovido pelo Sinpro

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) colocou os candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) diante de uma série de cobranças sobre problemas que atravessam a rede de ensino e a educação pública durante debate na noite desta segunda-feira (21). Contratação temporária, salários, inclusão de estudantes com deficiência, financiamento, condições de trabalho, gestão democrática, creches, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a Universidade do Distrito Federal (UnDF) estiveram entre os temas discutidos.
Participaram José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Professor Robson (PSTU) e Professora Samara Mineiro (UP). Celina Leão (PP), candidata à reeleição, foi convidada, mas não compareceu. O Sinpro apresentou aos candidatos uma pauta com 181 reivindicações da categoria, dividida em quatro eixos: salário e benefícios, qualidade social e gestão democrática, formação e promoção da saúde dos trabalhadores.
O encontro foi dividido em cinco blocos. No primeiro, os candidatos fizeram apresentações individuais. Depois, diretores do Sinpro formularam perguntas, e os próprios candidatos escolheram quem faria a réplica. A terceira etapa reuniu representantes de sindicatos, estudantes e organizações ligadas à educação. As duas últimas partes foram reservadas às perguntas entre as candidaturas e às considerações finais.
Temporários e salários
A contratação de professores temporários esteve entre os temas levantados pelos diretores do Sinpro-DF. Caio Romão questionou Kiko Caputo sobre o crescimento dessa modalidade e citou dados apresentados pelo sindicato segundo os quais o número de temporários teria passado de cerca de 6 mil, em 2014, para quase 17 mil em agosto de 2026.
Kiko criticou o uso crescente de contratos temporários e relacionou a modalidade à precarização da carreira docente. “A questão dos temporários é indigna. Primeiro que ela precariza a profissão do magistério. Segundo, porque parece que virou uma política de Estado pelo simples fato de ser uma coisa mais econômica, diante da diferença salarial ao longo do tempo”, criticou.
Ricardo Cappelli também abordou a contratação temporária e relacionou o tema às condições da carreira docente. “Temporário tem que ser temporário, não pode ser o efetivo precarizado na prática como é hoje. Por isso que a gente está na situação que está. 27º lugar no ensino médio, o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] caindo nos anos iniciais e nos anos finais também”, avaliou.
A valorização salarial foi discutida por Cláudio Antunes, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que questionou a Professora Samara Mineiro sobre o cumprimento da Meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que trata da equiparação salarial dos profissionais do magistério, e sobre os reajustes pendentes da categoria.
A candidata colocou a valorização dos profissionais entre as prioridades da educação. “A meta 17 é uma prioridade para a gente porque a gente entende a importância da valorização salarial para os professores e para todos os profissionais da educação. É um absurdo que hoje a nossa categoria seja uma das que recebam o penúltimo pior salário entre as que têm ensino superior”, ressaltou Samara.
Recursos e valorização dos profissionais
O financiamento da rede pública foi questionado pela diretora do Sinpro Mônica Caldeira a José Roberto Arruda. Ela abordou a redução dos recursos previstos para a educação no orçamento de 2026 e relacionou o tema à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Arruda atribuiu os problemas enfrentados pela educação e pela saúde às prioridades adotadas pelo governo. “O problema não é a falta de dinheiro. O problema é a falta de gestão e a escolha de prioridades. Efetivamente, a escolha do Master e outras mais foram mais importantes que botar dinheiro na educação e na saúde. […] E o caos da saúde e o caos da educação são consequências dessa escolha equivocada de prioridades”, criticou Arruda.
Leandro Grass ampliou a discussão para outras categorias que atuam nas escolas. Ao abordar a carreira de Políticas Públicas e Gestão Educacional (PPGE), citou orientadores educacionais, secretários escolares, psicólogos, assistentes sociais, merendeiras e vigilantes.
“Escolas são pessoas, escolas são os alunos, professores, mas também secretário escolar, psicólogo escolar, o assistente social que atua na escola, é a merendeira, o vigilante, todo mundo é a escola e a gente tem que cuidar da escola por inteiro”, destacou.
Emanuele Amoury, do Sindicato dos Trabalhadores em Políticas Públicas e Gestão Educacional de Suporte Operacional, Administrativo e Pedagógico do Distrito Federal (SAE-DF), também questionou Grass sobre déficit de servidores, baixos salários, ausência de concursos, excesso de trabalho e terceirização. Na resposta, o candidato destacou a situação dos monitores e dos educadores sociais que atuam no atendimento aos estudantes.
“Nós precisamos recompor o quadro de monitores, fazer com que o educador social não seja um trabalhador precarizado. Esse nome voluntário me dá arrepios porque não tem voluntário, é trabalhador. Trabalhador tem que ter salário digno, tem que ter férias, tem que ter direito ao descanso. Então, o educador social e monitor não pode ser tratado como subcategoria”, defendeu Grass.

EJA e creches
A situação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) levou a discussão para a política de alfabetização. Madalena Torres, do Centro de Cultura e Educação Popular de Ceilândia (Cepafre), questionou Ricardo Cappelli sobre o fechamento de turmas em Ceilândia e o fortalecimento da educação popular.
Cappelli relacionou o cenário da educação à falta de um projeto de longo prazo para a área e criticou o que classificou como um processo de desmonte da rede. “Isso é fruto de um processo de desmonte da educação. […]. Qual é o projeto para a educação do Distrito Federal hoje, onde é que a gente quer estar daqui a quatro anos, onde é que a gente quer estar daqui a dez anos? Não tem projeto”, criticou.
A falta de vagas em creches e a oferta de escolas em tempo integral também foram levantadas por Rodrigo Rodrigues, presidente da Central Única dos Trabalhadores do DF (CUT-DF). A pergunta tratou dos impactos da falta de equipamentos públicos sobre as famílias, especialmente sobre as mulheres.
A Professora Samara relacionou a oferta de creches à autonomia das mulheres e ao enfrentamento da violência. “A creche é um direito das crianças e garante a segurança delas. É fundamental que haja vagas na creche para todas as crianças e que haja também uma política de enfrentamento da violência contra a mulher. Quantas mulheres hoje não têm acesso à creche e não têm condições de ir para o mercado de trabalho porque não têm acesso a esse direito garantido?”, argumentou.
UnDF
Kíssila Teixeira Mendes, da Seção Sindical dos Professores da Universidade do Distrito Federal (SinDUnDF), questionou os candidatos sobre os problemas enfrentados pela instituição, incluindo salários, gestão democrática, escolha da reitoria e a greve de estudantes e professores.
Na discussão, Leandro Grass levou o tema para a autonomia universitária e criticou a condução da instituição pelo atual governo. “Garantias estão sendo desrespeitadas, que é a autonomia universitária, a escolha da reitoria, que recorrentemente esse governo tem violado o direito da comunidade acadêmica de escolher aquela pessoa que vai dirigir a universidade”, criticou Grass.
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