CRECI cassou registro de corretor preso em Goiânia

O corretor e empresário Roger Kogi Tabata, de 57 anos, preso suspeito de aplicar golpes envolvendo imóveis em Goiás, já havia tido o registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO) em agosto deste ano. Segundo o conselho, uma denúncia contra ele e sua imobiliária levou à abertura de um processo disciplinar, que terminou com o cancelamento da inscrição. Atualmente, dez pessoas já procuraram a Polícia Civil para denunciar supostos prejuízos provocados pelo corretor, que é investigado por crimes envolvendo aluguéis, valores de contratos e administração de imóveis.
“O CRECI-GO esclarece que no cumprimento de uma de suas atribuições legais recebeu “denúncia contra a pessoa de Roger Kogi Tabata, em data anterior a sua prisão, bem como contra a sua imobiliária, promoveu a abertura de processo ético-disciplinar e após os trâmites legais aplicou pena de cancelamento de inscrição”, diz a nota enviada ao Mais Goiás.
O processo foi julgado pela 2ª Turma Julgadora do CRECI-GO em 18 de agosto de 2026. Na decisão, além do registro profissional cassado, Roger também foi condenado a pagar multa equivalente a 10 anuidades de pessoa física.

Uma das vítimas relata prejuízo de R$ 60 mil
Entre as pessoas que procuraram as autoridades está Amanda Guimarães Lima. Ela afirma ter tido um prejuízo de aproximadamente R$ 60 mil depois de contratar Roger para administrar o aluguel de um apartamento que pertence as duas filhas dela, no Jardim Goiás, em Goiânia.
Segundo Amanda, o acordo previa o repasse mensal dos aluguéis. No entanto, ela descobriu que Roger havia negociado com o inquilino o recebimento antecipado de um ano de aluguel, além de valores referentes a garantia e ao seguro. A família, segundo ela, não autorizou essa negociação.
Amanda também afirmou que o contrato estabelecia que os proprietários não deveriam tratar diretamente com o inquilino. Dessa forma, toda a comunicação passava pelo corretor.
Ainda conforme o relato, os pagamentos começaram a atrasar. O aluguel, que vencia no dia 25, chegava a ser repassado entre três e 12 dias depois até que, em agosto, os pagamentos deixaram de ser feitos.
Furto de eletrodomésticos
Uma empresa que contratou Roger para administrar 49 imóveis também afirma ter sofrido prejuízos. As primeiras irregularidades foram identificadas no fim de 2021, quando a empresa constatou que, em alguns contratos, Roger teria se apresentado aos inquilinos como proprietário dos imóveis e recebido aluguéis, embora tivesse sido contratado apenas para fazer a administração e intermediar a relação com os moradores.
A situação se agravou no fim de 2022, quando os aluguéis deixaram de ser repassados regularmente aos proprietários. Após o encerramento do contrato, a empresa descobriu que valores cobrados dos inquilinos para seguro contra incêndio não teriam sido acompanhados dos documentos das apólices, quantias destinadas ao pagamento de condomínio e IPTU teriam ficado sem repasse e parte dos valores de caução entregues pelos moradores também não teria sido transferida aos proprietários.

Há ainda uma acusação relacionada a um dos imóveis administrados. Segundo a denúncia, Roger teria alugado a propriedade para o próprio companheiro. Depois que o imóvel foi desocupado, eletrodomésticos que pertenciam à empresa teriam sido retirados da residência.
Segundo o delegado Willian Bretz, responsável pelo caso, a acusação também faz parte das apurações.
Investigação começou há cerca de três meses
De acordo com o delegado, a apuração identificou relatos semelhantes envolvendo valores de aluguel, garantias e pagamentos antecipados em pelo menos 10 vítimas até esta terça-feira (29), com prejuízos de mais de R$ 1,1 milhão. Roger foi preso na segunda-feira (28), durante a Operação Broker Scammer.
Além dos casos de locação, também há relato de uma pessoa que afirma ter pago R$ 115 mil como entrada para comprar um apartamento avaliado em R$ 500 mil. Segundo a denúncia, o imóvel não foi entregue.
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