Política

Crise e campanhas põem STF no centro da luta eleitoral

Um traço comum entre implicados e citados nos escândalos em tela é o fato de se sentirem autorizados a não dar explicações ao público que os sustenta nos respectivos postos com votos e impostos.

Alguns estão sendo cobrados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal a fazê-lo com prazos determinados. Outros se escoram no aconselhamento de estrategistas políticos para evitar dar munição aos adversários e aguardar a poeira baixar com o fim das disputas eleitorais.

O pior que pode acontecer é um daqueles acertos não escritos adiar o enfrentamento das suspeitas para depois das eleições a fim de alegadamente não deixar o ambiente mais tumultuado do que já está.

A segunda pior coisa já acontece: candidatos a cargos eletivos engajados nas fileiras de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um, o demônio a ser expurgado; outro, o “ungido do Senhor”. Paulo Gonet, no papel de autoengavetador na Procuradoria-Geral, ainda não encontrou defensores.

O terceiro mal que espreita e acirra a crise é a atuação de magistrados na exposição da refrega interna, como fez o ministro Flávio Dino ao confrontar publicamente a manifestação de Edson Fachin em defesa do fim de inquérito sem-fim. Além de ferir a autoridade da presidência da corte, Dino oficializa a divisão do tribunal em torcidas semelhantes àquelas que degradam a cena política.

Se já transitávamos pelo terreno da desesperança e do desagrado com a disputa entre dois candidatos repudiados e concorrentes que não inspiram como alternativa, agora pisamos no pântano da distorção total: o Supremo em litígio com juízes no centro da refrega política servindo à orientação de votos.

Onde já se viu algo parecido? Provavelmente em lugar algum dentre aqueles em que a normalidade esteja em vigor para além das aparências e formalidades. Uma solução haverá de ter, ainda que leve tempo e requeira a condução de outros personagens que não os atuais em cena.

Francamente, dá vontade de dormir e acordar em 2030.

Folha de São Paulo

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