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Da queixa ao diagnóstico, Letícia Martins acompanha cada história feminina

Dor menstrual intensa, desconforto durante as relações e alterações que comprometem a rotina ainda são naturalizadas por muitas mulheres. Para a ginecologista e obstetra Letícia Martins, compreender o impacto dessas queixas na vida da paciente é um dos primeiros passos para uma avaliação completa. 

A médica atua nas redes pública e privada de saúde em Salvador, na Bahia, onde acompanha diferentes realidades de acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Em sua prática, observa não apenas os sintomas, mas também a maneira como eles interferem no trabalho, na sexualidade e nos projetos pessoais. 

“Nem sempre a mulher chega sabendo explicar exatamente o que está acontecendo. Quando encontra espaço para contar sua história sem constrangimento, surgem informações importantes para conduzir a investigação”, afirma.

A formação em Ginecologia e Obstetrícia

Letícia concluiu a graduação em Medicina na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e realizou residência em Ginecologia e Obstetrícia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). 

Durante a especialização, acompanhou um serviço de referência em atendimento humanizado à gestante e ao recém-nascido. A experiência contribuiu para sua forma de compreender a comunicação dentro da Medicina. 

Na Obstetrícia, encontrou mulheres em momentos de expectativa e insegurança. Na Ginecologia, passou a lidar com questões que ainda provocam vergonha ou medo de julgamento, como alterações menstruais, fertilidade, dor nas relações e mudanças na região íntima. 

“Humanizar não é dizer à paciente aquilo que ela espera ouvir. É explicar o quadro com respeito, apresentar possibilidades e permitir que ela participe das decisões sobre o próprio corpo”, comenta. 

Depois da residência, Letícia ampliou os estudos em Ginecologia estética, funcional e regenerativa, área em que realiza uma pós-graduação em São Paulo. 

O interesse surgiu a partir de queixas relacionadas ao conforto, à sexualidade e à qualidade de vida, como ressecamento vaginal, alterações após o parto e mudanças associadas à menopausa. A médica ressalta, porém, que nem toda insatisfação exige um procedimento. A anatomia feminina apresenta variações naturais, e padrões difundidos nas redes sociais podem fazer com que características normais sejam percebidas como problemas. 

“Antes de propor qualquer intervenção, precisamos compreender o que realmente incomoda essa mulher e de onde vem a queixa. A Medicina não deve reforçar uma insegurança criada por comparações irreais”, observa.

Endometriose e dor menstrual 

A naturalização da dor menstrual intensa está entre os temas que mais chamam a atenção de Letícia. Algumas mulheres passam anos organizando compromissos de acordo com os dias em que terão dificuldade para trabalhar, estudar ou realizar atividades cotidianas.A naturalização da dor menstrual intensa está entre os temas que mais chamam a atenção de Letícia. Algumas mulheres passam anos organizando compromissos de acordo com os dias em que terão dificuldade para trabalhar, estudar ou realizar atividades cotidianas. 

A endometriose está entre as possíveis causas. A doença ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina e pode atingir estruturas da região pélvica. 

Além da cólica incapacitante, alterações intestinais ou urinárias relacionadas à menstruação e dor profunda durante a relação sexual podem indicar a necessidade de investigação. 

Na consulta, Letícia procura entender o que a dor impede a paciente de fazer. 

“Quando a menstruação obriga a mulher a interromper atividades importantes, a dor já ultrapassa o desconforto esperado. Esse sintoma precisa ser investigado, e não apenas suportado todos os meses”, explica. 

O diagnóstico de endometriose não significa indicação imediata de cirurgia. O tratamento considera a intensidade dos sintomas, a localização das lesões, o desejo de engravidar e a resposta às medidas clínicas. Bloqueio hormonal, fisioterapia pélvica, acompanhamento nutricional e controle da dor podem integrar o cuidado. 

“Não tratamos apenas uma imagem de exame. Tratamos uma mulher com sintomas, projetos e um momento de vida próprio. A conduta precisa fazer sentido para essa realidade”, destaca. 

Na rede pública, a médica também acompanha pacientes que percorrem um caminho mais longo até o diagnóstico. Casos complexos podem exigir a participação de profissionais de diferentes áreas. 

Formação em cirurgia minimamente invasiva

Atualmente, Letícia fellow em endoscopia ginecológica no Núcleo Avançado em Ginecologia (NAG), na Bahia. A formação é voltada a técnicas de cirurgia ginecológica minimamente invasiva, como videolaparoscopia e histeroscopia. 

Nos casos de endometriose que exigem tratamento cirúrgico, a abordagem ocorre, em geral, por videolaparoscopia. Já a histeroscopia permite investigar e tratar alterações dentro da cavidade uterina, como pólipos, miomas submucosos e alterações do endométrio. 

A videolaparoscopia também pode ser empregada em cirurgias de cistos ovarianos, alguns miomas e outras condições pélvicas. A cirurgia aberta permanece indicada em situações ginecológicas específicas, de acordo com o diagnóstico e a complexidade do caso. 

A cirurgia robótica também faz parte das tecnologias incorporadas a alguns centros especializados, mas Letícia evita apresentar qualquer recurso como solução universal. 

“Uma tecnologia só tem valor quando oferece benefício concreto à paciente. A escolha não deve ser guiada pelo método mais recente, mas pela abordagem mais apropriada e segura para cada situação”, afirma. 

Informação responsável nas redes

Nas redes sociais, Letícia procura esclarecer dúvidas e ajudar mulheres a reconhecer sinais que justificam a procura por atendimento médico. 

A ginecologista ressalta, no entanto, que conteúdos publicados na internet não substituem o histórico clínico, o exame físico e a avaliação individual. Para ela, comunicar saúde exige apresentar possibilidades e limites, sem criar diagnósticos precipitados ou necessidades inexistentes. 

“As redes podem aproximar a mulher do cuidado e ajudá-la a perceber que um sintoma merece atenção. Mas não substituem a consulta nem permitem compreender todas as particularidades de cada caso”, comenta. 

Os próximos passos da carreira

Ao concluir o trabalho, Letícia pretende ampliar sua atuação em endoscopia ginecológica e aprofundar o trabalho com cirurgia minimamente invasiva. 

Seus planos também incluem atualização contínua, integração com equipes de diferentes áreas e comunicação acessível sobre temas da saúde feminina ainda cercados por desinformação. 

Para a médica, a tecnologia ocupa um papel importante, mas não substitui a escuta desenvolvida desde a formação no Maranhão. Exames e procedimentos ajudam a construir caminhos, enquanto a história da paciente contribui para definir qual deles deve ser seguido. 

Depois de acompanhar mulheres em diferentes fases da vida, Letícia mantém a convicção de que o avanço da Medicina depende da técnica, mas também da capacidade de ouvir quem está do outro lado da mesa. 

“Quero que a paciente saia da consulta sabendo que sua história foi considerada e que ela participa das decisões. Mesmo quando a resposta não vem de imediato, é importante mostrar que a queixa tem valor e que existe um caminho de cuidado a ser construído”, conclui. 

Letícia P. Martins – Ginecologista – CRM-BA 48116 | RQE 27532 

Instagram: @leticiapmar 

O conteúdo dessa publicação é de responsabilidade da TV Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News 





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