Datafolha: 38% citam Lula como prejudicado por crise no STF, e 31% apontam Flávio Bolsonaro

Novo recorte de pesquisa Datafolha divulgado nesta sexta-feira (18) mostra que 38% dos eleitores citam Lula (PT) como candidato à Presidência prejudicado pela crise do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Banco Master, e 31% apontam Flávio Bolsonaro (PL).
Mencionam Renan Santos (Missão) nesse quesito 2% dos brasileiros, mesmo percentual dos que nomeiam Ronaldo Caiado (PSD). Augusto Cury (Avante) aparece nas respostas de 1%, assim como Romeu Zema (Novo).
Para 5%, todos os candidatos na campanha presidencial serão prejudicados, e 25% não veem prejuízos a nenhuma candidatura. Não sabem opinar 14%.
Samara (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barao (DC), e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) não pontuaram.
O Datafolha questionou os entrevistados, primeiro, sobre se a crise prejudica ou não a campanha dos candidatos a presidente. Depois, para os que responderam sim, indagou sobre quais candidatos a presidente podem ser prejudicados, com resposta espontânea e múltipla.
O instituto ouviu 2.001 eleitores brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-04029/2026.
Contratada pela Folha e pela Globo, a pesquisa foi feita de terça (15) a quinta (17), integralmente sob o impacto da crise envolvendo a corte, que transbordou para a campanha eleitoral e passou a pautar o debate político no país.
Na parcela de eleitores que declaram voto em Lula, 38% citam o próprio petista como prejudicado, e 33% colocam Flávio nesse lugar. A margem de erro para esse recorte é de 3 pontos percentuais.
Já no grupo dos eleitores do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 39% citam seu adversário petista, e 28% nomeiam o senador. Para esse segmento, a margem é de 4 pontos.
A crise no STF escalou nas últimas semanas com a exposição de divergências entre ministros em torno das investigações sobre o Master e da ligação de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os ministros entraram em uma guerra de ofícios, liminares e recados explícitos. Sobrevieram vazamentos sobre o elo de integrantes da corte com o universo do empresário e acusações sobre interferência indevida no pleito eleitoral.
No campo da disputa presidencial, Flávio passou a tentar associar Lula ao caso Master e a Moraes, enquanto o petista visou se descolar do ministro e vincular o escândalo ao adversário.
Influência no voto
A pesquisa também ouviu os eleitores sobre se a crise no Supremo vai exercer influência na escolha do voto para presidente. A resposta é positiva para 47% dos eleitores.
De acordo com o levantamento, 36% dizem que o conflito pelo qual passa o tribunal vai ter grande peso na escolha do candidato, enquanto 11% afirmam que terá importância, mas pequena. Outros 49% consideram que não terá impacto, e 4% não sabem responder.
Posicionamento ideológico
Questionados sobre se os políticos envolvidos nas investigações do Master são, em sua maioria, de esquerda, de centro ou de direita, 34% dos entrevistados disseram que de esquerda, ao passo que 27% afirmaram de direita e 10%, de centro.
Em abril deste ano, os índices eram de 38% para a esquerda, 20% para a direita e 10% para o centro.
Responderam “todos” 13%. O levantamento não registrou eleitores que não atribuem o escândalo a algum grupo político (0%). Outros 16% afirmaram não saber.
Pelo recorte de quem declara voto em Flávio, 58% acreditam que a maioria dos envolvidos são de esquerda, contra 9% que dizem ver um padrão majoritariamente de direita.
O padrão se inverte entre eleitores de Lula, dos quais 48% apontam a direita como majoritária entre os envolvidos, ante 17% que apontam a esquerda.
Folha de São Paulo



