Esporte

De massagista costureiro a tecido tecnológico, camisas evoluíram junto com a Copa

A seleção brasileira que acabou se sagrando campeã em 1958 havia embarcado para aquela Copa do Mundo só com o uniforme amarelo.

Poucas horas antes da final, soube que a adversária Suécia, anfitriã daquele Mundial, vestiria a mesma cor.

A solução encontrada pela delegação brasileira foi comprar camisas azuis em uma loja de roupa de Estocolmo. Até o médico e o massagista ajudaram a costurar os números nas costas do uniforme improvisado.

O episódio, que seria impossível no futebol ultraprofissionalizado e bilionário de hoje, ilustra bem como os uniformes evoluíram junto com o esporte.

Até as primeiras décadas do século 20, a federação de futebol mais antiga do mundo, a da Inglaterra, fornecia aos jogadores de sua seleção só a camisa —cabia aos atletas levar seus próprios calções e meiões.

Isso só mudou em 1934, quando a federação começou a municiar seus craques com o uniforme completo.

O número nas costas se tornou obrigatório pela Fifa só na Copa de 1950, no Brasil. Os logos das empresas de material esportivo começaram a aparecer nas camisas apenas na Copa de 1974, na Alemanha Ocidental.

“A Copa de 1970 foi a mais importante de todos os tempos, e ainda tinha essa coisa quase amadora: a camisa era usada num jogo e tinha que ser lavada depois”, diz Cassio Brandão, que entrou no Guinness Book de 2024 como o maior colecionador de camisas originais de futebol, com 6.823 itens.

O reinado das camisas 100% algodão durou bastante no futebol. Foi só na Copa de 1986, no México, que a seleção brasileira usou pela primeira vez um uniforme feito com poliéster.

O grande salto tecnológico se deu nos anos 1990 e 2000, com o lançamento de tecidos sintéticos mistos que facilitam a evaporação do suor, como o Dri-Fit, da Nike, e o ClimaCool, da Adidas.

“Nos últimos anos, percorremos um caminho muito acelerado de evolução tecnológica, aerodinâmica e de tecidos mais leves, que se adaptam ao corpo e seguram menos o suor”, diz Brandão.

Segundo o colecionador, a Copa do Mundo sempre foi o maior palco de novidades em camisas ao longo da história. “As marcas pilotam a inovação de uma maneira menor nos clubes, mas a Copa do Mundo tem o poder de fazer a transformação explodir.”

Mesmo com tantos avanços, neste ano aconteceram duas falhas no material esportivo de grandes empresas que vestem os atletas da Copa.

Camisas da Puma estão rasgando com facilidade, enquanto as da Nike vieram com um defeito de fabricação que gera um estufamento na região dos ombros.

Exposição em São Paulo

Uma parte pequena —mas muito significativa— da coleção de Brandão pode ser vista gratuitamente na exposição Mantos Campeões, em cartaz até 26 de julho no shopping Pátio Higienópolis, região central de São Paulo.

São 11 camisas originais da seleção brasileira, de 1950 a 2022, incluindo uma usada por Pelé em 1971, e de mais sete de países, como Alemanha, Argentina e França.


Esporte / Folha de São Paulo

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