Deputados de PSOL e Rede pedem cassação do mandato de Mario Frias por caso ‘Dark Horse’

As bancadas do PSOL e da Rede na Câmara pediram nesta quinta-feira (10) a cassação do mandato do deputado Mario Frias (PL), que foi alvo de operação da Polícia Federal que apura um possível esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse“, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os deputados querem a abertura de um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar –que pode ou não ser aceito pelo Conselho de Ética. Em vídeo publicado em redes sociais, Frias chamou a operação de “cortina de fumaça”, ressaltou não haver mandado de prisão contra ele e disse que o processo não tem fundamento.
Segundo a PF, Mario Frias teria feito uma transferência para a Go Up, produtora do longa-metragem sobre Bolsonaro do qual ele é produtor e roteirista, de R$ 645.400,00 em 2025. A corporação afirma que o valor é incompatível com o salário do parlamentar, de R$ 44 mil. Ele é candidato à reeleição.
Além disso, ele destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, ONG da dona da produtora do “Dark Horse”, Karina Gama. Foram R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação numa ação de letramento digital e R$ 1 milhão para implantar um projeto de artes marciais.
Deputados do PSOL e da Rede afirmam no documento que a destinação de emendas para uma obra do qual Frias é está diretamente envolvido representa “conflito de interesses insanável, absolutamente incompatível com a função de representação popular”.
“A emenda parlamentar é instrumento constitucional de atendimento a necessidades coletivas — creches, hospitais, saneamento, escolas. Convertê-la em fonte de custeio, ainda que indireto, de projeto do qual o próprio parlamentar é sócio criativo e beneficiário é subverter a razão de ser do orçamento público”, dizem.
Os partidos apontam possível abuso das prerrogativas de congressista e percepção de vantagens indevidas. Também defendem que o Conselho de Ética não precisa aguardar o fim da investigação criminal para apurar a conduta do deputado do PL.
A operação contra Frias foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). O magistrado disse que o deputado retardou a prestação de informações à investigação por estar em viagem internacional e por isso o proibiu de sair do país.
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Folha de São Paulo



