Política

Diretor do Paraná Pesquisas explica o curioso fenômeno do voto Tarcísio-Lula

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Cerca de 15% dos eleitores de São Paulo afirmam que pretendem votar em Tarcísio de Freitas para governador e em Luiz Inácio Lula da Silva para presidente. O cruzamento inusitado foi destacado pelo diretor do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, durante entrevista a Marcela Rahal no VEJA em Foco desta quarta-feira, 19. Segundo ele, esse grupo pode representar um dilema para os dois políticos: uma aproximação maior de Tarcísio com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro pode fazê-lo perder parte desses eleitores, assim como uma atuação mais intensa de Lula ao lado de Fernando Haddad pode produzir efeito semelhante para o presidente (este texto é um resumo do vídeo acima).

Quem são os eleitores que escolhem Tarcísio e Lula?

De acordo com Hidalgo, o levantamento do Paraná Pesquisas identificou um contingente de aproximadamente 15% do eleitorado paulista que combina os dois votos. “A gente observa que tem em torno de 15% do eleitorado no estado de São Paulo que vota Tarcísio e Lula. Ele vota Lula e vota Tarcísio”, afirmou o diretor do instituto.

O dado ganha relevância diante da vantagem atual de Tarcísio na corrida pelo governo paulista. Na pesquisa apresentada no programa, o governador aparece com 50% das intenções de voto, contra 33,8% de Haddad. Em um eventual segundo turno, Tarcísio tem 53%, enquanto o petista registra 36,9%.

Por que esse eleitorado cria um dilema para Tarcísio?

Na avaliação de Hidalgo, Tarcísio terá de administrar a relação entre a disputa estadual e a eleição presidencial. Uma associação mais intensa entre o governador e Flávio Bolsonaro poderia afastar parte dos eleitores que preferem Tarcísio em São Paulo e Lula na disputa nacional.

“Se o Tarcísio entra demais na campanha do Flávio, ele pode perder uma parcela de eleitor”, afirmou Hidalgo. O diretor do Paraná Pesquisas ressaltou, porém, que a vantagem atual do governador é suficientemente ampla para que essa perda não necessariamente comprometa sua vitória.

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Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral

E Lula, também corre esse risco?

O mesmo cálculo vale para o presidente. Segundo Hidalgo, uma participação mais intensa de Lula na campanha de Haddad pode produzir uma reação semelhante entre os eleitores que fazem a combinação Tarcísio-Lula.

A situação é especialmente relevante porque, segundo a pesquisa, Tarcísio aparece em posição confortável na disputa estadual. Para Hidalgo, isso coloca diante do governador uma escolha estratégica: preservar o eleitorado que combina seu nome com o de Lula ou assumir uma posição mais explícita na eleição presidencial.

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Tarcísio pode abrir mão dos 15%?

Essa é, segundo Hidalgo, a principal questão colocada pelo fenômeno identificado na pesquisa. “A dúvida que fica é se o Tarcísio, em algum momento, pode abrir mão desses 15%”, disse.

O diretor do instituto ponderou que a margem atual do governador lhe permite correr algum risco. Mesmo que uma parcela desse eleitorado deixe de apoiá-lo, Tarcísio ainda teria, pelas intenções de voto registradas na pesquisa, condições de vencer no primeiro turno. O problema, portanto, não seria necessariamente a eleição estadual, mas o impacto que uma estratégia mais alinhada à disputa presidencial poderia produzir sobre sua base.

O que o fenômeno revela sobre a eleição em São Paulo?

Para além da disputa estadual, o comportamento desses eleitores mostra a existência de escolhas diferentes para os dois cargos entre uma parcela relevante do eleitorado paulista. O voto não segue necessariamente uma mesma orientação política nas eleições para governador e presidente.

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O fenômeno também ajuda a explicar por que, na avaliação de Hidalgo, tanto Lula quanto Tarcísio precisam considerar cuidadosamente seus movimentos. “Isso faz com que tanto Tarcísio quanto o Lula tenham que pensar muito bem nas suas estratégias para não perder voto”, afirmou.

O levantamento ocorre em um momento de forte vantagem de Tarcísio sobre Haddad. Para Hidalgo, o governador tem hoje uma “vitória folgada” e uma rejeição menor que a do adversário. Nesse cenário, os 15% que combinam Tarcísio e Lula ganham peso não apenas como curiosidade estatística, mas como um grupo capaz de influenciar os cálculos políticos da eleição paulista e da disputa presidencial.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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