Dirigente do PT diz que Lula não deve ir a Pernambuco apoiar João Campos no 1º turno

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O presidente municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) no Recife, o vereador Osmar Ricardo, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve ir a Pernambuco no primeiro turno das eleições para apoiar a candidatura do ex-prefeito da capital João Campos (PSB) e criar uma oposição nacionalizada à governadora Raquel Lyra (PSD).
“Eu acho que Lula não vem a Pernambuco no primeiro turno. Tenho quase certeza disso, de que ele vai ficar neutro [na disputa estadual]. Inclusive, ele precisa do apoio da governadora. Ele precisa ampliar essa aliança a nível de Nordeste para poder suprir, inclusive, a questão do Sul e do Sudeste, onde [ele] tem muitos problemas para a reeleição. Isso vai acontecer naturalmente aqui em Pernambuco para que possamos contar com o palanque da governadora para apoiar o presidente Lula”, declarou Ricardo em entrevista a um blog local.
Em contraste com a coligação nacional PT-PSB, o líder petista no Recife faz uma ferrenha oposição a João Campos e ao PSB. Para ele, os socialistas mantêm costumes políticos atrasados no território pernambucano. Ao comentar um vídeo em que Lula declarou apoio a Campos, falando em “compromisso histórico” com sua família, Osmar Ricardo disse que o presidente estava sendo pressionado politicamente.
“Quem conhece Lula sabe que ele não é aquele que gravou o vídeo. A gente sabe que Lula é um cara muito tranquilo, mas, ultimamente, acho que a pressão do PSB, do presidente do PSB de Pernambuco, que é também o presidente nacional [João Campos], pressiona um pouco o governo Lula. Lula é outra pessoa (…). A gente não concorda com a política do PSB no estado de Pernambuco. É uma política atrasada, de perseguição”, comentou o petista.
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Osmar Ricardo também declarou que deve se licenciar da presidência do PT nos próximos meses para poder fazer campanha em favor da reeleição de Raquel Lyra abertamente. Nos últimos tempos, Campos e seus aliados têm demonstrado irritação com o petista, visto que ele escancara a divisão interna do partido em torno das candidaturas do PSB e do PSD em Pernambuco.
Apesar da coligação formal, o PT também conta com nomes históricos e importantes localmente que, hoje, estão ligados a Raquel Lyra. Ela, por sua vez, mantém um diálogo com todas as vertentes políticas do estado, falando em benefícios para o povo, independentemente de coloração partidária. A governadora consolidou sua gestão nos últimos meses, elevando sua aprovação popular, a partir de fortes alianças com o governo federal e demonstrando capacidade de atrair recursos.
A situação tem ultrapassado os limites territoriais de Pernambuco por causa das relações nacionais mantidas entre Campos, Lula e o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Foi nesse contexto que o ministro do Desenvolvimento, Wellington Dias, que é também coordenador da campanha à reeleição de Lula no Nordeste, afirmou que Raquel também seria apoiada por Lula. A situação gerou um grande mal-estar interno no PSB e levou o ministro a ser desmentido por Edinho, que foi categórico ao afirmar que Lula só vai apoiar Campos.
Em entrevista exclusiva de Páginas Amarelas de VEJA, Raquel Lyra afirmou ter uma aliança ampla que vai do PSOL ao PL, evitando dizer quem vai apoiar para a Presidência — mas sem deixar de ser elogiosa a Lula.
O motivo da briga pela posição do presidente da República é que, atualmente, ele é o maior cabo eleitoral de Pernambuco, tendo obtido quase 70% dos votos em 2022.
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