Política

Dólar dá guinada e sobe com agravamento da crise no STF. Bolsa cai

Os mercados de câmbio e de ações no Brasil passaram por uma reviravolta ao longo da sessão desta sexta-feira (11/9). A guinada aconteceu depois da divulgação da medida adotada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que retirou o sigilo dos documentos de uma das principais investigações do caso do Banco Master.

Com a circulação da notícia, o dólar passou a operar em alta sobre o real. Ele encerrou a sessão com avanço de 0,44%, cotado a R$ 5,12. Às 10h05, contudo, a moeda americana recuava 0,30%, a R$ 5,07.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), acentuou a tendência de baixa, depois da veiculação da medida adotada por Fachin. O indicador fechou em baixa de 0,56%, aos 187,2 mil pontos.

Contramão

Com isso, o Brasil passou a andar na contramão do mercado global. Enquanto o Ibovespa caía, os principais índices de Nova York operavam em forte alta.

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do Metrópoles

Às 16h50, as elevações em Wall Street eram de 0,90%, no S&P 500; de 0,98%, no Dow Jones; e de 1,00%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia. Na Europa, as bolsas também subiram no pregão.

No mesmo horário (16h50), o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrava leve avanço de 0,06%, aos 99,13 pontos. Ou seja, permanecia estável, no momento em que o real se desvalorizava em relação à moeda americana.

Impacto eleitoral

Os ativos brasileiros têm-se mostrado especialmente suscetíveis ao tema político, como ocorre em anos eleitorais. Dólar e Bolsa dão verdadeiros cavalos-de-pau em pregões, à medida que as pesquisas mostram variações na corrida presidencial.

Nesta sexta-feira, as oscilações ocorreram, apesar do relativo bom humor internacional. Ele foi marcado, notadamente, pela queda do petróleo, embora o preço ainda se mantenha em patamar elevado.

O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 2,81%, a US$ 104,61. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 2,37%, a US$ 100,05.

Análise

João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, observa que o Ibovespa cedeu mesmo depois de o IPCA de agosto apresentar deflação de 0,32%. A baixa reforçou a perspectiva de mais um possível corte de 0,25 ponto percentual da Selic, na próxima semana.

Já a inflação americana de agosto, medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), subiu 0,4% e ampliou as apostas em uma alta dos juros nos EUA. “Com isso, a curva de juros no Brasil subiu levemente em todos os vértices a partir de janeiro de 2029, o que pesou nos ativos domésticos”, diz. “As ações de Petrobras e Vale recuaram, pesando negativamente no Ibovespa.”

Mas parte da piora do mercado, destaca Saccardo, veio do temor de possíveis novas denúncias contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da mesma corretora, acrescenta que o risco de uma reviravolta nas pesquisas eleitorais contra Flávio ofuscou a queda do preço do petróleo no mercado internacional.


Metrópoles

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