Eleições 2026: Estrutura sindical montada por Vargas e reanimada por Lula está virando pó

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Há somente nove sindicalizados entre cada cem brasileiros ocupados com algum tipo de trabalho, formal ou informal.
No total, são 9,1 milhões entre 103 milhões de pessoas, segundo o inventário trabalhista de 2025 divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (23/9)
Significa que o sindicalismo perdeu 5,3 milhões de associados nos últimos 13 anos, quando começou a pesquisa. Em 2012, contavam-se 14,4 milhões de filiações sindicais. A perda foi expressiva: 36,7%.
Não deixa de ser notável que esse processo de evasão sindical tenha ocorrido numa etapa em que o Partido dos Trabalhadores predominou no governo e, também, no Congresso.
O PT vai completar 17 anos de governo nesses primeiros 25 anos do século, e Lula está na disputa pelo quarto mandato. Ele e o PT representam um ciclo de êxito da elite sindical brasileira, modelada na ditadura de Getúlio Vargas, nos anos 30, e parcialmente reanimada nos governos petistas deste século.
Lula costuma atribuir o declínio sindical à reforma trabalhista aprovada em 2017, no período em Michel Temer completava o mandato de Dilma Rousseff, deposta por impeachment. Não é bem assim. O IBGE mostra que a taxa de sindicalização era de 16% em 2012 e caiu para 15% em 2016, antes da reforma.
A mudança nas regras teve peso específico, porque flexibilizou critérios de filiação e de remuneração dos sindicatos. Certamente, acelerou o processo, mas a erosão da base sindical aparenta coerência com a resistência da elite sindical às mudanças na estrutura do mercado de trabalho impostas pela revolução digital.
O setor industrial, por exemplo, teve relevante queda na taxa de sindicalização — de 21,3% em 2012 para 11,4% no ano passado.
No setor público e agricultura também houve redução da base associativa, mas em proporção bem menor. Continuam líderes em sindicalização, com taxa média de 14%.
A coincidência temporal dessa evasão sindical com a ascensão de Lula e do PT traduz uma situação peculiar: ele e seu partido “chão de fábrica” surgiram na cena política do final de um ciclo de industrialização, entre os últimos anos 70 e os primeiros 80 do século passado.
Em 1989, quando Lula disputou a primeira eleição presidencial, os sindicatos do setor público e dos serviços financeiros já estavam aliados na marcha para controlar organizações estratégicas, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), até então dominada por sindicalistas “operários”.
A estrutura sindical está virando pó, simplesmente, porque os burocratas dos sindicatos não conseguem se reinventar nem demonstrar relevância no novo mundo do trabalho .
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