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Eleições 2026: Lula analisa a derrota, Flávio Bolsonaro faz anúncios como quem governa

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Eis um resumo das primeiras 72 horas de campanha na reta final da eleição presidencial: Lula continua atônito com a derrota no primeiro turno, enquanto assiste o adversário Flávio Bolsonaro anunciar “pacotes” de medidas políticas e econômicas como se já estivesse governando.

Governo e Partido dos Trabalhadores estão entretidos na procura de culpados e dos motivos do declínio eleitoral. Tentam descobrir por que Lula saiu do primeiro turno com 2,3 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro. A diferença (1,8%) é a mesma da vitória de Lula contra Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.

O presidente-candidato somou 53,8 milhões de votos. Não é pouca coisa, mas nesse total está embutida uma redução de quase 4 milhões de votos em comparação com o resultado do primeiro turno em 2022.

Com a experiência de 37 anos de disputas presidenciais, Lula disse nesta quarta-feira (7/10) estar convencido da sua vulnerabilidade: “Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989.”

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As urnas foram eloquentes, na eleição de domingo, sobre o desejo predominante de mudanças. No entanto, passadas 72 horas da contagem de votos, Lula ainda demonstrava alguma dificuldade em dar um sentido de opção pelo novo nos discursos, sinalizando para o futuro. Na maior parte do tempo insistiu no “balanço” de realizações em três governos, como se mantivesse expectativa de gratidão eleitoral.

Flávio Bolsonaro escolheu um roteiro de campanha diferente, baseado no magnetismo da palavra “mudança”. Passou a criar fatos e fotos na rotina da campanha com o objetivo de passar a impressão de que já governa.

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“Olha o que o povo brasileiro falou nas urnas”, repetia. “Olha o Congresso Nacional que será configurado a partir de janeiro. Acho que nenhum um presidente da República, com meu perfil, ‘casou’ tanto com um Congresso como esse de centro-direita, em que a maioria está ali estabelecida por identidade programática.”

Não é bem assim, porque o seu Partido Liberal terá a maior bancada na Câmara (121 em 513 deputados) e no Senado (28 em 81 senadores), mas não vai ter poder de fogo suficiente para aprovar o que quiser.

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Será obrigado a negociar com partidos do Centrão para aprovar mudanças na Constituição, porque precisa de 187 votos extras para alcançar o mínimo exigido de 308 votos a favor, na Câmara, em duas votações.

A equação se repetirá no Senado, onde o PL tem a maior bancada. Ela vai ter 28 votos entre 81 disponíveis no plenário, mas precisará de outros 26 para chegar ao mínimo necessário (54 votos) para aprovar emendas constitucionais ou impeachment de juiz do Supremo Tribunal Federal.

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Esses detalhes, porém, não parecem relevantes para o candidato Flávio Bolsonaro. Ele está concentrado em convencer os eleitores de que já governa.

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