Eleições 2026: Milei insulta Lula e desvia atenção do aumento da pobreza na Argentina

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Javier Milei completou uma semana insultando Lula. Começou na tarde de sábado (25/7) ao discursar no comício de Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à presidência da República. Prosseguiu na noite de domingo (2/8) em entrevista ao repórter Luis Majul, do jornal La Nación, de Buenos Aires.
Milei e Lula não se gostam e fazem questão de deixar isso claro. Certamente, têm boas razões.
Em julho de 2024, Milei esteve numa reunião de ativistas de extrema direita em Santa Catarina, promovida pelo clã Bolsonaro. Não mencionou no discurso a interferência indevida de Lula na disputa presidencial argentina.
Lula havia jogado o peso do governo brasileiro em manobras para derrotar Milei e eleger o candidato do peronismo patrocinado por seus amigos Cristina Kirchner e Alberto Fernández.
Perdeu. A maioria dos argentinos pobres garantiu a eleição de “El Loco”, como Milei é conhecido. Como se vê, sobraram ressentimentos.
É difícil, porém, imaginar o que um presidente da Argentina teria a ganhar com uma campanha pública de hostilidades ao presidente do Brasil.
Em Buenos Aires, parlamentares aliados do governo sugerem que as razões estão na política doméstica. Milei percebeu alguma utilidade na repercussão dos insultos a Lula para desviar a atenção das próprias dificuldades. Começam a ficar evidentes as limitações do seu projeto que, até agora, tem sido relativamente exitoso na recuperação da economia argentina.
Nesta segunda-feira (3/8), por exemplo, o órgão governamental de estatísticas (INDEC, equivalente ao IBGE) divulgou dados sobre um avanço da pobreza, depois de dois anos de queda constante.
O número de pobres na Argentina aumentou em 600 mil entre janeiro e março de 2026. Equivale à população de Mar del Plata, a quinta maior cidade.
Estima-se que um terço dos 46 milhões de argentinos estivesse na pobreza, no primeiro trimestre. Quase um milhão (cerca de 6,5%) estaria vivendo na indigência

Espera-se alguma mitigação desse empobrecimento no segundo trimestre, efeito de redução da inflação (estimada em 2% ao mês).
É uma situação complicada para Milei, que já é o presidente latino-americano com maior rejeição no eleitorado do próprio país (60%, dois pontos percentuais acima de Lula, segundo pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg).
Milei tem mais um ano e meio de mandato e sonha com a reeleição. Mas, para os argentinos, ele está tropeçando na escassez de trabalho, na corrupção, nos salários baixos e na pobreza crescente. Por essa e outras razões, Lula virou item preferencial no cardápio de distrações políticas da Casa Rosada, sede do governo argentino.
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