Eliana revela detalhes de relacionamento abusivo: saiba como o sofrimento emocional pode adoecer o corpo

Eliana surpreendeu o público ao revelar que já viveu um relacionamento abusivo marcado por ciúmes excessivos e comportamentos de controle. O desabafo aconteceu durante o programa Saia Justa, do GNT, exibido na quarta-feira (14), quando a apresentadora compartilhou experiências pessoais e alertou sobre atitudes que podem ser confundidas com demonstrações de amor.
“Eu vivi um relacionamento muito abusivo nesse lugar do ciúme por um tempo na minha vida”, contou.
A comunicadora também relatou que o antigo companheiro costumava pedir desculpas, mas não mudava o comportamento. Ao recordar o período, ela reconheceu que deixou de dar atenção a alertas de pessoas próximas e refletiu sobre o sofrimento que enfrentou naquela relação.
A declaração trouxe à tona uma questão importante: os efeitos que experiências emocionalmente desgastantes podem provocar na saúde física. Situações prolongadas de medo, insegurança e tensão podem desencadear respostas no organismo, afetando o sono, a disposição, a concentração e até a percepção da dor.
Como o sofrimento emocional pode afetar a saúde?
A psiquiatra Jessica Martani explicou à coluna de Fábia Oliveira, do Metropoles, que situações de sofrimento psicológico podem ativar mecanismos cerebrais relacionados à percepção de ameaça. Quando uma pessoa vive constantemente sob tensão, o organismo pode permanecer em estado de alerta por períodos prolongados.
“Uma pessoa que vive constantemente preocupada com a reação do parceiro pode desenvolver um estado de hipervigilância. O cérebro passa a antecipar conflitos e o corpo responde como se precisasse estar preparado para uma ameaça”, comentou, antes de completar:
“Com o tempo, essa sobrecarga pode afetar o sono, a concentração, a disposição e até a percepção da dor. O sofrimento emocional não fica restrito à mente, ele também pode aparecer por meio de sintomas físicos”, explicou.
Entre as manifestações que podem estar associadas ao estresse estão dores de cabeça, tensão muscular, palpitações, dificuldades para dormir e alterações digestivas. A intensidade e a frequência dos sintomas variam de pessoa para pessoa, e a presença dessas manifestações não significa necessariamente que exista uma única causa emocional.
Estresse prolongado pode interferir nos hormônios
O endocrinologista Bruno Cardoso, especialista titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que o estresse também envolve mecanismos hormonais importantes para o funcionamento do organismo.
Entre as substâncias envolvidas nessa resposta estão a adrenalina e o cortisol, que ajudam o corpo a reagir diante de situações percebidas como ameaçadoras. Quando a tensão se prolonga, podem ocorrer alterações na regulação do sono, do apetite e do metabolismo.
“O cortisol é um hormônio essencial para o funcionamento do organismo, mas a exposição contínua a situações estressantes pode desorganizar os mecanismos que regulam sua produção e sua ação. Algumas pessoas passam a apresentar alterações de apetite, dificuldades para dormir, fadiga e mudanças no peso”, enumerou.
O especialista, porém, ressalta que não existe uma reação idêntica para todas as pessoas diante do estresse.
“É importante compreender que não existe uma resposta hormonal única para o estresse crônico, e que esses sintomas precisam ser avaliados individualmente”, observou ele.
Relação entre saúde emocional e endometriose exige atenção
Outro aspecto abordado por especialistas é a relação entre sofrimento psicológico e condições associadas à dor crônica, como a endometriose. A doença é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e pode provocar cólicas intensas, dores pélvicas e dificuldades para engravidar.
Pesquisas apontam associações entre endometriose, ansiedade, depressão, estresse percebido e redução da qualidade de vida. Isso não significa, entretanto, que o sofrimento emocional seja responsável por causar a doença.
O especialista em tratamento cirúrgico da endometriose por cirurgia robótica Marcos Travessa explica que fatores emocionais podem influenciar a experiência da dor e a maneira como os sintomas são enfrentados, mas a condição possui características orgânicas próprias.
“Os estudos mostram uma associação importante entre endometriose e sofrimento psicológico, especialmente ansiedade, depressão e estresse. Essa relação pode funcionar nos dois sentidos: a dor crônica compromete a saúde emocional, enquanto o estresse pode intensificar a percepção dolorosa e dificultar o enfrentamento dos sintomas. A endometriose é uma doença orgânica, não uma consequência das emoções, mas o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte de uma abordagem integral”, esclareceu.
Pele e cabelos também podem refletir períodos de estresse
Os efeitos da tensão prolongada podem aparecer também na pele e no couro cabeludo. O estresse pode interferir em mecanismos relacionados à inflamação e à barreira cutânea, contribuindo para o agravamento de algumas condições dermatológicas preexistentes.
Acne, dermatite atópica e psoríase, por exemplo, podem apresentar piora em determinados períodos de estresse. Algumas pessoas também desenvolvem aumento temporário da queda capilar, conhecido como eflúvio telógeno, que pode estar associado a diferentes fatores, incluindo situações de sobrecarga física ou emocional.
A dermatologista Tatyana Braga, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), destaca a conexão entre o sistema nervoso e a pele.
“A pele e o sistema nervoso mantêm uma comunicação constante. Em períodos de estresse intenso, algumas pessoas percebem piora de doenças inflamatórias, aumento da sensibilidade cutânea e alterações nos cabelos. Isso não significa que todo problema dermatológico tenha origem emocional, mas mostra como a saúde da pele também pode ser influenciada pelo estado geral do organismo”, apontou.
Diante de sintomas persistentes, a recomendação é procurar avaliação profissional para identificar as possíveis causas e definir o tratamento adequado, sem atribuir automaticamente qualquer alteração física ao estado emocional.
Eliana alerta para comportamentos abusivos nos relacionamentos
Além das possíveis consequências para a saúde, o relato da apresentadora reforça a importância de reconhecer sinais de abuso em uma relação. Controle excessivo, ciúmes constantes, monitoramento, humilhações e tentativas de limitar as escolhas do parceiro não devem ser confundidos com cuidado ou proteção.
Durante o programa, Eliana também relembrou que o antigo companheiro costumava se desculpar, mas repetia as mesmas atitudes, o que a fez refletir sobre a diferença entre oferecer uma nova oportunidade e tolerar comportamentos prejudiciais.
A apresentadora ainda reconheceu que poderia ter evitado parte do sofrimento se tivesse levado em consideração os alertas de pessoas próximas. A experiência a levou a destacar a importância do diálogo e da troca de informações entre mulheres, especialmente quando existem sinais de alerta em um relacionamento.
A exposição prolongada a situações de violência psicológica pode comprometer o bem-estar e a qualidade de vida. Por isso, buscar apoio de pessoas de confiança e acompanhamento profissional pode ser importante para quem enfrenta uma relação abusiva.
É fundamental lembrar que a responsabilidade pela violência é de quem a pratica, e não da vítima. O acolhimento e a segurança devem ser prioridades, assim como a avaliação de sintomas físicos e emocionais que possam surgir durante ou depois de uma experiência desse tipo.
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