Em meio a enxurrada de críticas a plano da Fifa, Conmebol mantém silêncio

Após divulgar os planos de vender as ações de uma nova empresa que ficaria responsável por gerenciar as atividades comerciais da Copa do Mundo, a Fifa conseguiu atrair uma reação negativa histórica dos principais atores do futebol mundial.
Desde que o plano veio à tona, na terça-feira (28), a Uefa (entidade responsável pelo futebol da Europa) foi a crítica mais contundente, ameçando boicotar o Mundial caso a Fifa não reconsidera sua posição.
Na mesma linha, a Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) também rejeitou a proposta, citando “profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta”, assim como a AFC (confederação asiática), que disse que a proposta “não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”.
Diante da repercussão mundial, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) mantém o silêncio. A organização ainda não manifestou qualquer posição a respeito do projeto.
Procurada pela reportagem, a entidade informou que aguarda um posicionamento formal vindo de Assunção, no Paraguai, onde fica sua sede.
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol), por sua vez, respondeu por meio de sua assessoria de imprensa que, por ora, não teria posicionamento oficial a ser divulgado.
O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, é visto como um aliado político histórico de Gianni Infantino, o presidente da Fifa no centro das críticas por conta da forma como o plano foi apresentado ao público.
Desde que Infantino assumiu o cargo, em meados de 2016, Domínguez já manifestou diversas vezes seu apoio irrestrito ao dirigente ítalo-suíço, tendo recentemente sinalizado inclusive apoio a uma eventual reeleição.
A próxima edição da Copa também terá jogos na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, em celebração aos 100 anos do torneio de seleções, o que pode contribuir para um alinhamento entre as entidades.
Pouco depois do término da Copa do Mundo, no dia 19 de julho, a Fifa anunciou sua intenção de criar uma empresa para gerenciar suas atividades comerciais e atrair investidores externos, prometendo um aporte de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50,8 bilhões na cotação atual) para financiar o desenvolvimento do futebol.
Gianni Infantino defendeu seu projeto na quarta-feira, mas insistiu que se trata de “uma oportunidade, não uma obrigação”.
Esporte / Folha de São Paulo



