Empresa investe para aumentar produção de cogumelos na Bahia


Uma das maiores empresas produtoras de cogumelos comestíveis do Brasil, a Hochibra, sediada em Vitória da Conquista (BA), está investindo R$ 4 milhões em 2026 para elevar em 30% sua produção, que alcança 14 toneladas por semana.
Segundo o fundador e proprietário da Hochibra, Henrique Alves Peters, 41 anos, a produção atual emprega 74 pessoas. Diariamente, bandejas de 200 gramas dos cogumelos shimeji preto – o carro-chefe – e eyring saem de Vitória da Conquista e chega na região Sudeste em um dia, para distribuição direta em redes de supermercados como Oba e Pão de Açúcar. Agora, a intenção é implantar uma linha de shimeji pérola, uma variação do tipo branco.
A Hochibra, que reúne em seu nome três países (Holanda, China e Brasil), começou a produzir cogumelos em 2015. Filho de uma brasileira com um holandês que comercializava cogumelos na Europa, Peters conta que decidiu investir na produção do fungo no Brasil juntamente com um chinês (daí o “Chi” do nome da empresa), mas o sócio acabou desistindo logo no início do negócio.
“Na época eu morava em Curitiba, depois de passar oito anos na Holanda, onde trabalhava com meu pai, Piter, no comércio. Gostava de comer cogumelo, mas não entendia nada de cultivo. Escolhi Vitória da Conquista, onde nunca tinha pisado, porque pesquisei muito e vi que a temperatura na cidade é bem estável e favorável ao cultivo dos fungos: 28ºC durante o dia e 18ºC à noite”, lembra o empresário
Peters conta que também pesou na escolha o fato de a cidade ter bom acesso viário e aeroporto. A maior dificuldade foi a captação de recursos. “Eu tinha menos de 30 anos e virei motivo de piada ao chegar nos bancos pedindo financiamento para produzir cogumelo fresco na Bahia.”
Ele iniciou com uma estufa que produzia em uma semana o volume que é colhido em um dia hoje nas 24 salas de cultivo equipadas com a tecnologia exigida pelos fungos para se desenvolverem: controles de temperatura, umidade, CO2 e luminosidade.
“De lá para cá viemos ampliando a estrutura e os investimentos. Abrimos filial de distribuição em São Paulo e em Belo Horizonte. No total, já investi uns R$ 15 milhões.”
Henrique Alves Peters, fundador e proprietário da Hochibra
Hochibra/Divulgação
O desafio hoje, diz, é a logística de distribuição do produto, que exige câmeras frias e uma cadeia de frio bem instalada, mas seu maior medo é o da contaminação dos fungos.
“Há dois anos, tive perda de 70% da produção por contaminação na produção. Não nasceu quase nada. Depois de investigar muito, achamos que a contaminação ocorreu no substrato por conta do uso de soja com agrotóxico”, diz o produtor, que tem parceria com uma empresa da Coreia do Sul para receber consultoria técnica semestral.
Outro problema é o preço. Segundo ele, os valores estão estagnados há quase dez anos. “As vendas aumentaram muito no Brasil, com a preferência do consumidor por alimentos mais saudáveis, mas o produtor recebe apenas cerca de R$ 30 pelo quilo e tem que aumentar o volume para manter uma margem.”
Além do fungo, a Hochibra produz suas próprias sementes em laboratório e também os compostos, que usam materiais como serragem, palha, bagaço de cana, farelos de amendoim, arroz, soja ou trigo, calcário e caroço de algodão. Cada composto de 700 gramas rende 100 gramas de cogumelo.
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