Entre filhos de imigrantes e nascidos no exterior, EUA abrem Copa contra Paraguai

Enquanto a política migratória dos Estados Unidos ocupa parte do debate em torno da Copa do Mundo de 2026, a seleção que estreia nesta quinta-feira (12) contra o Paraguai, em Los Angeles, reúne em seu elenco jogadores filhos de imigrantes, atletas que poderiam defender outros países e nomes nascidos fora do território americano.
A partida será disputada às 22h (de Brasília) no Estádio de Los Angeles, inaugurado em 2020.
O tema ganhou força nos dias que antecederam a abertura do torneio. Na quarta-feira (10), o chefe de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Volker Turk, pediu que os Estados Unidos reconsiderassem práticas migratórias adotadas pelo governo Donald Trump durante a competição.
Os EUA têm endurecido fiscalizações e restringido o acesso até mesmo de pessoas envolvidas com a Copa do Mundo.
Entre os episódios relatados nos últimos dias estão a revogação da cota de ingressos da federação iraniana, o impedimento da entrada de um árbitro da Somália e interrogatórios de integrantes de delegações estrangeiras.
A Fifa tem evitado comentar o tema.
A composição da seleção americana, porém, reflete trajetórias ligadas à imigração e à circulação internacional de pessoas.
Entre os convocados estão diversos filhos de imigrantes. Cristian Roldan nasceu nos Estados Unidos, mas é filho de um imigrante guatemalteco e de uma mãe salvadorenha. Ricardo Pepi nasceu em uma família mexicana. Folarin Balogun é filho de nigerianos. Tim Weah tem pai liberiano e mãe jamaicana. Mark McKenzie é filho de jamaicano.
Parte deles também poderia defender outras seleções nacionais. Balogun era elegível por Inglaterra e Nigéria. Pepi poderia atuar pelo México. Weah tinha a possibilidade de representar França, Libéria ou Jamaica.
Outros atletas do elenco também possuíam alternativas internacionais. Sergiño Dest era elegível por Holanda e EUA. Malik Tillman podia escolher entre Alemanha e EUA. Alex Zendejas poderia defender México ou EUA.
Há ainda jogadores nascidos fora do país. Antonee Robinson nasceu na Inglaterra e tem ascendência jamaicana. Dest nasceu na Holanda. Tillman nasceu na Alemanha. Zendejas nasceu no México e mudou-se para os Estados Unidos ainda bebê.
Os casos de Gio Reyna e Sebastian Berhalter são diferentes. Ambos nasceram na Inglaterra enquanto seus pais, americanos, atuavam profissionalmente no país.
Outros convocados possuem origens familiares ligadas a diferentes nacionalidades. Chris Brady tem ascendência escocesa. Haji Wright possui origens liberianas e ganesas. Tyler Adams tem ascendência afro-americana por parte do pai biológico.
Dentro de campo, os Estados Unidos iniciam sua segunda Copa do Mundo como país-sede. A equipe comandada por Mauricio Pochettino abre o Grupo D diante de um adversário que volta ao torneio após 16 anos.
O Paraguai desembarca nos EUA embalado pela recuperação construída sob o comando de Gustavo Alfaro. A seleção não disputava uma Copa desde 2010 e chegou a ver a classificação ameaçada durante as Eliminatórias, mas reagiu após a troca de treinador.
Com um jogo apoiado na organização defensiva, a equipe venceu Brasil e Argentina no caminho até o Mundial e garantiu a vaga em sexto lugar.
O principal destaque é Julio Enciso, atacante do Strasbourg (França). O meio-campista Damián Bobadilla, do São Paulo, também está entre os nomes mais conhecidos do elenco.
Estados Unidos e Paraguai se enfrentaram em novembro em amistoso disputado em Chester, na Pensilvânia, com vitória americana por 2 a 1. O jogo ficou marcado por uma confusão generalizada iniciada após uma disputa pela bola em uma cobrança de lateral.
O único confronto entre as duas seleções em Copas ocorreu na edição inaugural do torneio, em 1930. Na ocasião, os Estados Unidos venceram por 3 a 0, com três gols de Bert Patenaude, autor do primeiro hat-trick da história das Copas do Mundo.
Esporte / Folha de São Paulo



