Erom Cardeiro recorda corte de beijo gay com Bruno Gagliasso em novela: ‘Parecia final de Copa’

Por muito pouco, Erom Cordeiro (49) perdeu a chance de entrar para a história da televisão brasileira, como protagonista do primeiro beijo gay numa novela do país.
Em 2005, ele interpretou o peão Zeca, que vivia um romance gay com Júnior (Bruno Gagliasso) na novela global América. Os dois atores chegaram, inclusive, a se beijarem para uma cena do último capítulo da novela — porém esta acabou cortada da edição final.
Mais de 20 anos após a não-exibição da sequência, Erom ainda recorda a expectativa que a possibilidade de ela ir ao ar gerou naquele então. “Foi uma cena assim muito emblemática e muito importante. Inclusive, a coisa dela não ter passado eu acho que fez ela repercutir ainda mais, porque lembro que na época o Brasil todo ficou querendo assistir e se perguntando: ‘Vai passar ou não vai passar?’ Parecia final de Copa!“, lembrou-se, em conversa com a revista Quem.
“A gente foi pego de surpresa [com o corte da cena], mas a arte permite que a gente toque em assuntos que a sociedade considera tabus. Seja em uma novela ou no teatro, a gente tem a oportunidade de jogar luz para determinados temas. Quando eu, enquanto artista, tenho essa possibilidade de estar dentro de uma engrenagem que permita isso, fico muito feliz“, afirma, otimista.
Ainda assim, ele não nega que a frustração pelo corte da cena de América foi grande. “Na época, após a novela, fiz um trabalho com uma equipe de atores portugueses e falei que teve essa polêmica. Eles não acreditaram, disseram que na televisão portuguesa já tinha passado há mais de dez anos uma cena de beijo [entre homens]. Aqui no Brasil é uma questão.”
O beijo gay só aconteceu na teledramaturgia nacional quase uma década depois, quando o episódio final de Amor à Vida (2014) contou com uma cena de carinho explícito entre Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano).
Mesmo após tantos anos dessa primeira experiência — e alguns avanços discretos –, Erom acredita que cenas românticas entre casais homoafetivos ainda são tabu. “Os avanços existem, mas eles são muito pequenos. Você vê novelas com casais LGTBs dando selinho, enquanto tem uns 56 casais se beijando de boca aberta, entendeu? A LGBTfobia ainda é muito forte, e tem uma ala conservadora que cresce cada dia mais no Brasil. A gente tem que comemorar os avanços, mas não dá para retroceder.”
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