‘Erro diplomático e ingerência grave’: analista critica discurso de Milei em convenção do PL

O presidente argentino, Javier Milei, compareceu à convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência para ofender Lula, atacar a Justiça brasileira na figura do ministro Alexandre de Moraes e propagar fake news com relação à economia do país, cometendo um grave erro diplomático. Essa é a avaliação da analista internacional Amanda Harumy, que, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, também destaca a tentativa de Milei, como mais um representante da extrema direita latino-americana, de interferir nas eleições brasileiras.
“É um erro do nível diplomático em que a gente percebe que toda uma nação está sendo representada por um personalismo extremamente ideológico, que já recebeu ordens dos Estados Unidos de transformar a eleição brasileira nesse palco da extrema direita internacional. O mesmo aconteceu na eleição da Colômbia, onde vários líderes de extrema direita operaram na disputa eleitoral, seja com apoios, sinalizações ou até mesmo, como sinalizam algumas denúncias, cooperação financeira dessa extrema direita internacional”, afirma.
Para ela, a mensagem de Milei tinha como objetivo intervir na disputa presidencial. “É algo profundamente grave, porque nós sabemos que a autodeterminação dos povos e a soberania são a garantia de que nenhuma outra nação possa interferir politicamente nas disputas eleitorais. É uma cena política muito grave”, resume.
Harumy também analisa a situação de crise que vive a Argentina e destaca que esse é um projeto político da extrema direita, lembrando da imagem exaustivamente usada por Milei com uma motosserra. “A motosserra representa essa agenda neoliberal de cortes, que, como ele diz, é de eliminar o Estado, diminuir, cortar ministérios, cortar a verba para a saúde, para a educação, para a ciência. É isso que ele tem feito na Argentina. E nós já estamos vendo as mazelas econômicas que o povo argentino tem enfrentado. O aumento da fome, do desemprego ou de empregos informais faz com que eles precisem ter dois, três empregos. A crise econômica na Argentina é um projeto encabeçado pelo Milei com um conteúdo ideológico muito profundo que tem se espalhado em toda a América Latina”, avalia.
A analista internacional também destaca a gravidade de Milei, à frente de um país mergulhado em uma crise, servir de marionete dos desejos de Washington, colocando em risco a boa relação com Brasil. “Essa cena é operar o que os Estados Unidos querem para a América Latina, que é a desintegração e essa disputa ideológica profunda. O Milei coloca em risco a relação com o maior parceiro comercial da Argentina, que também depende muito do Mercosul, dessa cadeia produtiva industrial do setor automobilístico que existe, que é forte, que sempre foi propulsora do acordo de livre comércio entre esses países irmãos. Então, com certeza é muito ruim”, destaca Amanda Harumy.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.



