Ex-chefe de gabinete de Lula pede para deixar campanha após contas pagas por empresária alvo da PF

O ex-chefe de gabinete de Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a equipe de campanha do presidente da República. Ele estava sob pressão após virem à tona informações sobre o pagamento de despesas suas pela empresária Roberta Luchsinger.
Luchsinger é amiga de Fábio Luiz, um dos filhos de Lula. Ele é conhecido no debate público como Lulinha, e é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de tráfico de influência –sua defesa nega irregularidades.
Ainda não houve um comunicado oficial do pedido de saída de Marcola. Até a noite de terça-feira (4), aliados de Lula avaliavam que ele continuaria na equipe, a não ser que pedisse para sair.
Marcola afirmou ter tomado um empréstimo de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Em nota divulgada à imprensa, ele afirmou que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obteve junto a ela e que esta foi uma movimentação “de natureza estritamente privada”.
Ele também declarou que seus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça e que constituiu advogado e o orientou a fazer uso de todos os documentos a fim de esclarecer os fatos.
Aliados de Lula relatam que Marcola estava abatido desde que o caso veio à tona. Ele teria contado ao presidente e a integrantes da campanha sobre as operações com Roberta Luchsinger mais ou menos na época em que deixou a chefia de gabinete do presidente, há duas semanas.
A saída do cargo, e entrada na campanha, teria sido motivada pelo potencial desgaste das transações. A ideia era que ele tivesse um papel discreto na equipe que coordenara os esforços de reeleição de Lula.
As operações entre Marcola e Roberta Luchsinger começaram a vir a público na segunda-feira (3), em reportagem do site Poder360. Depois, foi noticiado que ela havia pagado contas do ex-assessor de Lula.
Aliados do presidente relataram à reportagem que Marcola contou sobre os pagamentos de contas. Segundo esses relatos, o ex-assessor do presidente teria dito que a quantia foi toda por meio dessas operações, sem um depósito em dinheiro em seu nome.
De acordo com esses aliados do petista, Marcola teria sido recentemente alertado por um advogado que a situação era problemática e buscado devolver o dinheiro para a empresária.
Roberta Luchsinger é empresária e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Em maio, ela disse à PF que apresentou Lulinha para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
A operação investiga um esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. O Careca do INSS é apontado pela PF como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias.
Em dezembro passado, Roberta foi alvo de buscas. Na apuração sobre o esquema, a PF afirmou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para uma companhia de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
Marcola já assessorava Lula havia quase sete anos quando o hoje presidente ganhou a eleição de 2022. Quando o petista estava preso, entre 2018 e 2019, era o assessor que levava recados de Lula a outros políticos. Uma vez no governo, o presidente escalou seu assessor como chefe de gabinete, sendo o principal responsável pela agenda presidencial.
Além disso, servia como um dos contatos de políticos que buscavam falar com o chefe do governo. Lula não tem telefone celular. Quem precisa falar com ele liga para Marcola ou para outra pessoa de um grupo reduzido que está sempre próximo do petista.
Folha de São Paulo



