Saúde

Febre nas redes, hot sculpt leva exercícios de força a salas aquecidas a 35°C

Popular nas redes sociais, o hot sculpt pode não ser a melhor escolha para quem está começando a se exercitar. A modalidade combina exercícios de força e resistência muscular com movimentos inspirados no pilates, na ioga e no balé, mas acrescenta um desafio: as aulas são realizadas em salas aquecidas, que podem chegar a mais de 35°C.

Apesar do uso de cargas leves, as sequências podem exigir bastante esforço físico. Isso porque o número de repetições, o tempo de execução e a carga utilizada influenciam a exigência muscular, explica Alessandro Moura Zagatto, professor do departamento de educação física da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Bauru, no interior de São Paulo.

Segundo Zagatto, os exercícios podem contribuir para o ganho de força e resistência muscular, principalmente entre pessoas com menor condicionamento físico, embora sejam menos eficientes para aumentar a massa muscular do que a musculação convencional.

Não há um protocolo único para o sculpt. As aulas podem incluir agachamentos, flexões, abdominais, movimentos curtos e acessórios, com sequências que variam conforme o estúdio. A modalidade também aparece em versões como pilates sculpt, ioga sculpt e barre sculpt, com movimentos executados com o auxílio de uma barra fixa, semelhante ao balé.

Na Sculpt Flow, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, os exercícios são feitos no chão, em temperatura ambiente, e utilizam acessórios para ampliar as possibilidades de movimento. Segundo a fundadora Jaqueline Souza, a proposta é trabalhar diferentes grupos musculares, combinando força, resistência e controle corporal.

Já no Gangga Studio, em Pinheiros, zona oeste da cidade, as aulas de hot sculpt são oferecidas desde junho de 2026. Cada sessão dura 50 minutos e acontece em uma sala aquecida por painéis de infravermelho, com temperatura em torno de 35°C.

A prática ganhou popularidade nos Estados Unidos antes de começar a se difundir no Brasil. Por lá, as buscas por “hot sculpt” cresceram 550% entre outubro de 2021 e outubro de 2026, enquanto as pesquisas por “sculpt” aumentaram 50% em relação ao ano anterior, segundo o Google Trends.

No Brasil, as buscas por “hot sculpt” atingiram o pico em agosto de 2026 e registraram crescimento superior a 5.000% entre janeiro e outubro deste ano.

O aumento do interesse acompanha a expansão da oferta de diferentes versões do sculpt. No Wellhub, o número de estabelecimentos parceiros identificados como ofertantes dessas práticas cresceu quase 90% entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

Na TotalPass, os agendamentos de aulas com “sculpt” no nome aumentaram 496% em 2025, em relação a 2024, quando foram registrados cerca de 5.000 agendamentos. Até 15 de setembro de 2026, o volume já era 295% maior do que o total de 2025. Os dados incluem diferentes versões da prática, não apenas as realizadas em salas aquecidas.

Parte das alunas do Gangga procura o hot sculpt para complementar outras atividades físicas. Thaina Zambonini, 27, também pratica vôlei e beach tennis. Ela diz ter percebido melhora no condicionamento físico e relaciona as aulas aquecidas à capacidade de lidar com o desconforto térmico durante outros exercícios.

A percepção tem uma explicação fisiológica possível. Segundo Zagatto, a prática regular de exercícios em ambientes quentes pode melhorar a tolerância ao calor. Com a adaptação, o organismo passa a iniciar a transpiração mais cedo, o que favorece o controle da temperatura corporal.

Ana Beatriz Tenório, 24, começou a frequentar as aulas por incentivo da irmã. As duas já praticavam musculação e hot ioga. Ela relata melhora na resistência e diz que terminar a sessão suada dá a sensação de “tarefa cumprida”.

Mas o suor, por si só, não é uma medida da eficiência do treino. Sua principal função é ajudar a regular a temperatura corporal, sobretudo pela evaporação, explica Zagatto.

A temperatura elevada também pode tornar o exercício mais desgastante. Segundo o professor, a perda de líquidos durante a atividade pode reduzir o volume de sangue e elevar a frequência cardíaca, aumentando a sensação de esforço e antecipando a fadiga.

Ele recomenda atenção à hidratação antes e durante a atividade. Pessoas com alterações da pressão arterial, problemas cardíacos ou que utilizam determinados medicamentos, como betabloqueadores, precisam de avaliação individualizada antes de praticar exercícios em ambientes aquecidos.

No Gangga, antes das aulas, a orientação é que os alunos respeitem os próprios limites, bebam água e adaptem os movimentos à experiência que têm com exercícios. Helena Isaac, dona do estúdio, afirma que a modalidade pode ser especialmente desafiadora para quem está há muito tempo sem praticar atividade física. “Se a pessoa não faz atividade física e vai direto para esse treino, acaba sendo muito desafiador”, diz.

Para quem está começando, Zagatto recomenda observar a resposta do organismo ao exercício. Uma alternativa é experimentar primeiro o sculpt em temperatura ambiente e se adaptar gradualmente ao calor. Segundo ele, é possível fazer duas ou três aulas por semana, dependendo da tolerância individual.

Veja onde fazer aulas de sculpt em São Paulo

Gangga Wellness Club

R. Francisco Leitão, 416, Pinheiros, região oeste. @gangga.wellnessclub. Aulas de hot sculpt, em sala aquecida. Preços a partir de R$ 120, com acesso pelo ClassPass e TotalPass (TP7).

Studio Sculpt Flow

R. Dr. Fabrício Vampré, 291, Vila Mariana, região sul. @studiosculptflow. Aulas de ballet sculpt, mat sculpt e pilates sculpt. Preços a partir de R$ 75, com acesso pelo Wellhub (Gold+) e Total Pass (TP5).

The Mat Pilates Club

R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros, região oeste. @themat__pilatesclub. Aulas de mat sculpt e hot mat sculpt, em sala aquecida. Preços a partir de R$ 109, com acesso pelo ClassPass.

Zaya Wellness Club

R. Padre Carvalho, 634, Pinheiros, região oeste. @zayawellnessclub. Aulas de hot sculpt, em sala aquecida. Preços a partir de R$ 100, com acesso pelo Wellhub (Diamond), Total Pass (TP7) e ClassPass.

Informação

Folha de São Paulo

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