Política

Flávio Bolsonaro é investigado no STF por suspeita de lavagem com advogado do caso INSS

A Polícia Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, também investigado pela corporação por envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

No Supremo, foi sorteado para relatar o caso o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

A campanha de Flávio foi procurada por email institucional e via WhatsApp, mas ainda não houve resposta.

A investigação teve origem em movimentações relacionadas ao setor de apostas. Na sexta-feira (16), a Folha mostrou que uma empresa do setor, de propriedade de Willer Tomaz, havia pagado voos de Flávio para a Europa em 2025.

A apuração revelou que a empresa atuou como intermediária na compra das passagens aéreas e que teria sido utilizada para custear viagens de caráter pessoal, envolvendo tanto os núcleos familiares de Willer quanto de Flávio.

Segundo a PF, o senador possuía acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária pertencente a empresa offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do parlamentar.

A investigação aponta relação de proximidade entre Willer e Flávio. Entre os registros localizados pela PF, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo os dois.

Quando questionado pela Folha sobre as viagens em 16 de outubro, Flávio afirmou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.

Willer é investigado sob a acusação de fazer repasses financeiros de dinheiro obtido em fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Ele também é dono da Rede Loto, primeira bet a conseguir uma licença de operação no país ainda em maio de 2023, emitida pelo governo do Rio de Janeiro.

Esta é a segunda investigação da qual Flávio é alvo no STF. O senador também é formalmente investigado no inquérito que apura a produção do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL).

No caso, a PF pediu a apuração de possível prática de lavagem de dinheiro e corrupção no contexto do financiamento do filme junto ao Banco Master.

Em maio, foi revelado um áudio enviado por Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Master, pedindo dinheiro para a produção da obra. O senador negociou com o então banqueiro um repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção.

Em entrevistas para explicar a origem dos recursos o filme, o senador sempre repetiu que se tratava de patrocínio privado.

Folha de São Paulo

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